1 Curta, 5 motivos pra assistir | Espalhadas pelo ar


Cinema sempre foi algo presente em minha vida, o hábito de assistir filmes foi se formando na infância e cresceu com o passar dos anos. Dos filmes “de luta”, influência dos tios até as comédias românticas na adolescência, muitas referências foram acumuladas. Com a idade adulta, outros temas e interesses foram ganhando força e o desenvolvimento de conteúdo para o CinemaSim! e a necessidade de um embasamento maior me despertaram para outra gama de questões.

Um desses anseios é o de aprender e conhecer mais sobre cinema, desde a concepção da ideia, os referenciais, a escrita do roteiro, a escolha da equipe a desenvolvê-lo até a exibição seja nas telonas do cinema ou mesmo e ainda nas telas dos Smartphones que nos acompanham onde quer que estejamos e nos permitem o acesso a um mundo de conteúdo e informações.

Eu não desejo me limitar à um tipo específico, creio na verdade que toda e qualquer experiência seja válida, entretanto eu tenho construído uma consciência de que preciso me atentar de modo especial ao cinema produzido no Brasil, afinal como posso me abster da realidade à qual pertenço, da qual me influencio ou com a qual me revolto. Partindo desse pressuposto, tenho me comprometido comigo mesma de buscar consumir mais conteúdo nacional e compartilhá-los aqui com vocês.

Outra questão com a qual tenho me preocupado é a de ter um conteúdo diversificado – e sei que é algo que alguns amigos no site também têm interesse e têm trabalhado para isso – e nesse sentido desenvolver postagens que incluam outras linguagens, mídias e expressões artísticas. Para começar optei por compartilhar 5 motivos interessantes pelos quais vale a pena assistir “Espalhadas pelo ar”, curta nacional da cineasta Vera Egito, que foi junto de outro curta seu “Elo” exibido na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2009, um dos mais reconhecidos e conceituados festivais de cinema no mundo.

1 –  O olhar feminino sobre a vida e as relações afetivas sob duas perspectivas diferentes, a de uma adolescente e a de uma mulher na altura dos 30 anos. Como mulher, tenho constatado a necessidade de ver questões que me são pertinentes expressas sob uma ótica também feminina, e desta maneira me identifiquei muito com a forma de fazer cinema que Vera imprimi em suas produções;

2 – As atuações e a cumplicidade expressa pelas protagonistas, uma no momento de descoberta e início de uma relação, enquanto a outra toma consciência do fim de seu relacionamento, porém sem se vitimar ou lamentar o ocorrido, fragilizada claro, contudo sem drama;

3 – A utilização de ações e objetos simples como ligar e desligar um interruptor para demonstrar o distanciamento de uma relação já deteriorada, a diferença de momentos e interesses dessas duas pessoas ou ainda o girar de uma hélice para demonstrar a passagem de tempo;

4 –  O fato de mostrar que o fim de um relacionamento pode ser libertador e lhe permitir se enxergar de outra maneira, já que muitas vezes nos moldamos aos desejos e gostos daquele que está ao nosso lado, ainda que inconscientemente;

5 – O uso das plantas como que para evidenciar esse desabrochar pelo qual passamos de tempos em tempos e o retorno às nossas raízes, nossa essência depois de um tempo vivendo outras experiências nas quais tentamos nos adaptar, nos enquadrar em outros hábitos que não nos pertencem.

Abaixo deixo o curta, que está disponível no canal de Vera na plataforma Vimeo, onde podemos encontrar também outros trabalhos seus como o curta “Elo” mencionado anteriormente e o clipe da música “Nightwalker” do cantor Thiago Pethit estrelado pela atriz Alice Braga. Thiago inclusive é um dos protagonistas do primeiro longa de Vera lançado em 2015, “Amores Urbanos”, – disponível no TelecinePlay – que possivelmente poderá ser objeto de alguma outra postagem por aqui futuramente. De qualquer forma fica a dica.