Nota:

Data de lançamento 04 de janeiro de 2018 (2h 23min) Direção: Robin Campillo Elenco: Nahuel Perez Biscayart, Arnaud Valois, Adèle Haenels, Antonie Reinartz Gênero: Drama Nacionalidades: França
9.0

França, início dos anos 1990. O grupo ativista Act Up está intensificando seus esforços para que a sociedade reconheça a importância da prevenção e do tratamento em relação a Aids, que mata cada vez mais há uma década. Recém-chegado ao grupo, Nathan (Arnaud Valois) logo fica impressionado com a dedicação de Sean (Nahuel Pérez Biscayart), apesar de seu estado de saúde, que a cada dia se torna mais delicado.

Com roteiro e direção de Robin Campillo, e ele começa nos mostrando como funciona o grupo Act Up. É uma abordagem bem política, focada nas discussões em torno das ações – nem todas louváveis, com divergências de opinião sobre qual o próximo passo. Isso deixa a narrativa rica, pois conseguimos diferenciar as personalidades dos integrantes. Só que aos poucos o foco vai mudando do grupo para Sean. Sua luta contra a doença, seu desespero por ajuda e chamar atenção para sua condição, nos faz sentir a cada momento o peso e o significado daquelas ações, num momento em que sua doença era estigmatizada por falta de informação. Contudo, em alguns momentos a narrativa acaba sendo cíclica e alguns diálogos panfletários, mas não chegam a atrapalhar o fio condutor criado pelo roteirista.

Quanto à direção, Campillo opta por uma abordagem quase documental: ele te joga dentro do grupo como testemunha ocular. E, de modo dinâmico, a narrativa vai se construindo de forma bem tensa, o senso de urgência permeia todas as ações. É uma abordagem real quebrada apenas por alguns momentos em que o diretor usa de lindas imagens poéticas para quebrar o realismo e dar algum alento ao espectador. A forma de narrar muda de acordo com o roteiro, se torna mais interna a partir do momento em que a condição de Sean é explorada e conhecemos melhor o personagem, seus medos, amores e uma boa dose de erotismo que torna a narrativa mais amarrada e nos cativa. O final nos traz um peso da realidade poucas vezes visto no cinema e é algo que realmente impacta e nos assusta. Poucos filmes seriam capazes de fazer igual.

Quanto ao elenco, Nahuel Perez Biscayart faz um trabalho magnífico como Sean. Ele exibe uma alegria de viver ao mesmo tempo que sua condição o faz ser, muitas vezes, agressivo. É uma atuação complexa. Arnaud Valois como Nathan faz o papel de olhos do espectador, olhando toda essa condição de fora. Ele demonstra amor verdadeiro e isso é percebido por gestos simples. Há momentos extremamente comoventes. Antoine Reinartz é Thibault, o líder do grupo, e apesar dele e Sean não se gostarem, há um respeito genuíno entre os dois. Essa dinâmica enriquece a história, mostrando que apesar de uma causa comum, há conflitos que não se resolvem tão facilmente.

120 Batimentos Por Minuto é impiedoso, triste e real. Um retrato de uma época, que não faz tanto tempo assim, e que precisava ser relembrada.