Nota:

Data de lançamento 12 de setembro de 2019 (1h 59min) Direção: Clovis Mello Elenco: Bruno Garcia (I), Regiane Alves, Ghilherme Lobo mais Gêneros Biografia, Drama Nacionalidade Brasil
8.5

Clóvis Mello, premiado diretor de comerciais estréia seu novo filme. Baseado no livro “Divaldo Franco: A Trajetória de Um dos Maiores Médiuns de Todos os Tempos”, de Ana Landi, o longa traz a biografia acompanhando a jornada de Divaldo (aqui vivido por João Bravo/Guilherme Lobo e Bruno Garcia), o famoso espírita que se dedicou a cuidar de centenas de crianças e pessoas humildes.

Na primeira fase do filme, vemos que ainda quando criança o médium já apresentava uma intimidade e tinha uma visão normalizada da sua relação com espíritos. O dom que é despertado quando garoto, além de nos fazer entender que se trata de uma criança especial, nos rende uma sequência muito bem humorada e em alguns momentos bem assustadoras.

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Fica nítido que Divaldo tinha maior envolvimento emocional com a mãe D.Ana (Laila Garin), que apesar de não acreditar muito no que via o filho, era mais afetuosa e acolhedora que seu pai Francisco (Caco Monteiro), que não podia nem ouvir sobre seus “amigos Imaginários”. Mais tarde Francisco se mostraria ainda mais incapaz de compreender o dom que seu filho carregava.

Uma decisão da igreja frequentada por D.Ana perante uma tragédia familiar, foi o motivo principal do afastamento de parte da família ao catolicismo. Além disso fica perceptível que existe uma crítica aos pensamentos intolerantes da instituição religiosa, e uma estranha perseguição de um espírito ruim (Marcos veras) que apóia-se nos preceitos da igreja.

Apesar de se passar na Bahia, o sotaque parece ser esquecido depois da primeira fase, mas, embora isso aconteça e pareça mais uma vez estranho, outros aspectos técnicos e artísticos se mantêm, e atestam a veracidade da proposta, deixando tudo bem crível para o espectador. Senti-se também um pouco a falta de externas diárias pela capital baiana, deixando claro que é mais barato e prático gravar nas madrugas turísticas da cidade.

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Regiane Alves e Laila Garin são para mim o destaque da produção. Suas atuações comoventes e verdadeiras, cumprem seus papeis na história, e se encarregam de emocionar a medida que a fita se encaminha ao final. O filme não se preocupa em doutrinar, e se apresenta de forma leve cativando pessoas que inclusive não compactuam com os preceitos do espiritismo. A habilidade de Divaldo de falar com os mortos serve muitas vezes como alívio cômico, conferindo bom-humor à trama.

Apesar de ser uma biografia, o filme não consegue mostrar muitas conquistas do médium, apenas faz uma passagem superficial ao seu potencial caridoso e não se aprofunda em suas motivações. Mesmo assim, suas mensagens de amor, respeito e perdão superam o prometido.

Confira o Trailer:

Sei que aqui existe um longa direcionado para um público específico, mas atesto que pode emocionar a todos que se permitirem absorver suas mensagens de paz.


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