The Breakdown

Título Original: 7 Days in Entebbe Lançamento: 12 de abril Direção: José Padilha Roteiro: Gregory Burke Gênero: Suspense, Drama Elenco: Rosamund Pike, Daniel Brühl, Eddie Marsan, mais Nacionalidade: Reino Unido
7.0
Pros
Atuações, trilha, direção
Cons
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Um povo retirado de sua terra tenta se reestruturar, encontrar em um novo território o seu lar, porém seguem marcados pelas disputas e segregações religiosas, políticas e culturais. Os conflitos entre Israel e a Palestina que perduram por anos e anos, transformando a Faixa de Gaza em uma das fronteiras mais marcadas e danificadas pela guerra, e é sobre um dos episódios que compõem essa trágica e dolorosa relação que se trata o mais recente filme do cineasta brasileiro José Padilha.

Protagonizado por Daniel Brühl e Rosamund Pike  interpretando dois terroristas alemães que participaram do sequestro do voo 139 da Air France, que viajava de Tel Aviv para Paris, em 1976, 7 Dias em Entebbe retrata desde os momentos de preparação e planejamento do grupo extremista até a missão de uma força especial do exército israelense para resgatar os reféns.

Com roteiro de Gregory Burke com base no livro Operation Thunderbolt de Saul David e as visitas e entrevistas feitas por Padilha aos sobreviventes do atentado, o longa apresenta três perspectivas distintas, partindo da dos terroristas Wilfried Böse (Daniel) e Brigitte Kuhlmann (Rosamund), com seus ideais de mudar o mundo, mesmo que para isso ter que assumir posições radicais, as oscilações durante esse processo, o vínculo estabelecido por Böse com os reféns, o fato de ele recuar no momento final e como isso influenciou no resultado final dessa ação que poderia ter causado muito mais mortes e também a difícil decisão do primeiro ministro de Israel na época, Yitzhak Rabin (interpretado por Lior Ashkenazi de Norman Confie em Mim | Crítica) em ceder às exigências através de uma negociação indo contra a política do país ou arriscar em uma missão militar que poderia falhar e causar tantos ou mais danos ao seu governo e a Israel. Além disso, temos também a posição dos soldados com suas famílias, ao mesmo tempo que há um forte comprometimento com o patriotismo e o bem comum, também podemos observar o quanto é difícil vê-los partir em missão sem saber se eles retornarão com vida.

A frente de mais uma produção que foca em temas políticos e sociais, Padilha consegue oferecer um trabalho bem elaborado na direção, evidenciando cada um dos aspectos que deseja mostrar de maneira interessante, humana, já que revela que cada um embora comprometido com sua causa e ideais também estava passível de receios, dúvidas e questionamentos. E que assim como todo fato, esse não é composto de uma única versão e isso não significa que uma exclua a outra, na verdade elas são complementares. Ou seja, cada um dos envolvidos possui uma perspectiva e poderá agregar detalhes que remontem os acontecimentos.

Outro ponto bem relevante em sua obra, é como ele pôde usar a música Echad Mi Yodea, tradicional canção judaica dentro da história com uma forte e impactante coreografia – do renomado coreógrafo e amigo de Padilha, Ohad Naharin – inserida por meio de uma personagem, de maneira a própria música torna-se um personagem que permeia todo o enredo, expressando toda a tensão e repercussão desse episódio na vida de cada um dos envolvidos. Nesse sentido, devemos estar atentos para não perder também a coreografia que acompanha os créditos do filme e que foi sugestão de Ohad, pois ela também exprime uma mensagem importante diante de todo o contexto e linguagem escolhida por Padilha.

Além de assistir ao filme, nós tivemos a chance de participar de uma coletiva de imprensa com José Padilha no último dia 19 de março em São Paulo, na qual ele esclareceu várias questões sobre o filme, e que vocês podem acompanhar os melhores momentos no vídeo abaixo.

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