A Criada | Crítica


Dia desses fui questionada com a seguinte pergunta: “O que é o cinema para você?”

Pensando rapidamente, respondi: “Inspiração, diversão, aprendizado.”

E de fato desde o momento mais distante em que minha memória consegue alcançar no passado, eu sempre estive conectada com esta arte ocupando o papel de espectadora, obviamente como muitos outros seres ao redor do planeta, e ela sempre me provocou, me trouxe uma série de questionamentos e sentimentos, sensações.

E com “A Criada” (The Handmaiden)  filme do cineasta sul-coreano Chan-wook Park (Oldboy), que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12), não foi diferente, sendo esta uma obra que consegue multiplicar e intensificar todas essas questões.

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Através de um enredo que se passa na Coreia do Sul, anos 1930, durante a ocupação japonesa, somos apresentados a jovem Sookee (Kim Tae-ri), uma órfã criada pela tia após a mãe, uma famosa ladra ser capturada e sentenciada à morte. Tendo crescido nesse ambiente de “moral” questionável, ela se espelha no que sabe da mãe e nos ensinamentos da tia para tentar “se dar bem na vida” e é com esse intuito que ela aceita trabalhar como criada de uma herdeira nipônica, Hideko (Kim Min-Hee), uma moça linda e muito rica que vive refém dos caprichos de um tio autoritário.

Em parceria com Fujiwara (Jung-woo Ha) um vigarista que se preparou por anos para conquistar e se casar com a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório, Sookee imagina ter encontrado o caminho mais fácil para conquistar a sua própria riqueza e independência. Entretanto a aproximação gerada pela convivência muda a perspectiva de Sookee, que gradualmente vai desenvolvendo uma relação de amizade e compreensão com Hideko e sua difícil situação.

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Com uma abordagem muito inteligente, na qual consegue jogar e manipular tanto no que concerne aos personagens de sua trama, quanto em relação ao público que se pega sendo surpreendido por vezes, o cineasta consegue de forma muitas vezes sutil, meticulosa e até mesmo reveladora nos desafiar, intrigar e capturar. Se equilibrando entre superexpor e subliminar, é uma história que transita entre a inocência e a percepção, sendo possuidora de uma estética belíssima, que se configura desde o figurino até as locações externas que em sua maioria foram em meio à natureza. Hideko geralmente é o ponto de cores mais quentes e fortes, enquanto os outros personagens ficam mais homogêneos, como que para evidenciar a sua posição de objeto da cobiça alheia.

Ao término do filme algo impreciso, instigante e denso fica reverberando a cada pensamento, como que para te fazer tentar racionalizar ou digerir essa experiência.

Título Original: Ah-ga-ssi

Lançamento: 12 de janeiro de 2017

Direção: Chan-wook Park

Roteiro: Chan-wook Park, Seo-Kyung Chung
Baseado no romance de Sarah Waters

Elenco: Min-hee Kim, Kim Tae-ri, Jung-woo Ha

Gênero: Drama, Romance

Nacionalidade: Coreia do Sul

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