A Forma da Água | Crítica


Nota:

Título Original: The Shape of the Water Lançamento: 01 de fevereiro Direção: Guillermo Del Toro Roteiro: Guillermo Del Toro e Vanessa Taylor. Elenco: Sally Hawkins, Octavia Spencer, Michael Shannon, Richard Jenkins.
5.5

Uma história de amor entre monstro e mocinha, sem nenhuma novidade, como já visto em “A Bela e a Fera”, “Frankenstein” e “Drácula”.  Del Toro com A Forma da Água nos apresenta apenas uma versão reciclada destes clássicos. O romance acontece, nos anos 60, entre uma mulher portadora de deficiência auditiva e uma criatura monstruosa, em forma de “peixe”.

Na trama, um agente do governo americano, interpretado por Michael Shannon, captura um monstro aquático na América do Sul, e o prende para testes e estudos (entende-se tortura) em um dos porões secretos de uma base militar nos EUA.

Elisa Esposito (Sally Hawkins), uma das funcionárias encarregadas pela limpeza do local, descobre a criatura e se encanta.

Logo de início, Elisa estabelece um relacionamento especial com o monstro, e à medida que presencia as cenas de maus tratos e abusos das autoridades americanas, ela decide libertá-lo.

Com a ajuda do seu vizinho idoso, Giles (Richard Jenkins), e da cumplicidade de sua colega e amiga de trabalho Zelda (Octavia Spencer) ela consegue bolar um plano para livrá-lo do seu terrível destino.

E nesta mistura de romance e ficção Del Toro quebra o estereótipo do herói.  Em A Forma da Água, ele empodera uma minoria, muitas vezes excluída da sociedade, os personagens-heróis são: uma faxineira muda, um senhor gay e uma mulher negra. Todos eles unem-se para salvar o “monstro”, que se encontra em um estado de extrema vulnerabilidade, desconhecido pela humanidade, e oprimido pelos homens e pelo governo.

No plano de fundo desta aventura romântica temos um cenário mórbido e sombrio, palco da Guerra Fria, conspirações e tramas por todos os lados, e uma trilha sonora, vintage, em sintonia com o período do filme.

As atuações dos atores, não surpreendem, apesar de toda a interpretação de Hawkins ser baseada na linguagem dos sinais e expressões faciais, não convence, salvo a Octavia Spencer que contribui com uma pitada de humor.

Sabemos que o Oscar deste ano está bem étnico, e os filmes concorrentes são uma consagração do empoderamento das classes menos favorecidas, e não se abale se este filme abocanhar alguns destes prêmios, deixando obras de artes como Corra! e Dunkirk de fora.