A Garota No Trem | Crítica 1


“São o que eu perdi, são tudo o que eu quero ser” Rachel

A citação acima reflete tudo o que a personagem Rachel (Emily Blunt), protagonista do filme “A Garota no Trem” sente. Com estreia marcada para esta quinta, 27 de outubro, o longa é inspirado no livro homônimo de Paula Hawkins e é um suspense dramático que te deixa extremamente desconfortável, confuso e constrangido assim como a personagem. Ela é uma mulher que perdeu tudo, desde o marido Tom (Justin Theroux), a casa “perfeita”, o emprego, o amor próprio, e até mesmo a perspectiva de realização pessoal e profissional.

A Garota no Trem

Após a separação, Rachel continuou obcecada pelo passado, pelo que poderia ter tido, fazendo de uma viagem de trem diária a sua fuga da realidade, onde da janela a cada dia ela observa angustiada o que teve e o que poderia ter agora. Nesse looping , a protagonista cruza com um casal – Megan (Haley Bennett) e Scoot (Luke Evans) – no qual passa a idealizar o que a própria não conseguiu viver.

Aqui vale aquela máxima: “A grama do vizinho é sempre mais verde.”. Mas o que logo Rachel descobre, assim como nós, espectadores, é que tudo se trata de perspectiva e das referências que possuímos. Geralmente limitamos a nossa visão à aquilo que desejamos encontrar, e portanto quando isso ultrapassa os limites pré-impostos, começamos a surtar e buscar justificativas para o ocorrido. Como se fosse impossível ser diferente do que acreditá-se, ainda é muito chocante mesmo quando os fatos estão diante de nossos olhos. É exatamente isso que acontece com Rachel, tudo começa a ruir diante de seus olhos já tão afetados e quando ela se dá conta, tudo que ela acreditava ser real, se transforma drasticamente.

A Garota no Trem

Com direção assinada por Tate Taylor  e roteiro por Erin Cressida Wilson, o filme segue dividindo a narrativa entre Rachel e Megan – um dos objetos de sua obssesão – , assim como no livro, guiando-nos no espaço e tempo com as personagens a fim de construir uma trama concisa e envolvente. E de fato consegue. Emily está formidável, ela consegue imprimir cada nuance necessária à Rachel, seja com o olhar perdido, a fala insegura ou ainda toda a imprecisão nos gestos e no andar.

Um ponto negativo foi o fato de a investigação policial não ter sido amplamente desenvolvida, uma vez que era um ponto fundamental para conectar as peças da história, bem como para impulsionar a resolução dos conflitos. Porém é indiscutivelmente um bom filme.

Título Original: The Girl on the Train
Direção: Tate Taylor
Roteiro:
Erin Cressida Wilson
Elenco:
Emily Blunt, Luke Evans, Rebecca Ferguson, Justin Theroux, Haley Bennett, Edgar Ramirez e Allison Janney

Nota do Filme: [yasr_overall_rating size=”medium”]