A Lenda de Tarzan| Crítica


Passaram-se anos desde que o homem conhecido como Tarzan (Alexander Skarsgård) deixou as selvas da África para trás para levar uma vida burguesa como John Clayton, Lorde Greystoke, com sua esposa, Jane (Margot Robbie) ao seu lado. Agora, ele é convidado a voltar ao Congo para servir como um adido comercial do Parlamento, sem saber que na verdade ele é uma peça usada em uma ação de ganância e vingança, organizada pelo belga Leon Rom (Christoph Waltz). Porém, as pessoas por trás dessa trama assassina não fazem ideia do que estão prestes a desencadear.

Tarzan

Para o roteiro de Stuart Beattie, Craig Brewer e John Collee a melhor definição que se pode encontrar é: confuso. Há a intenção de contar a história do conflito de Tarzan voltando a selva e por um outro lado a necessidade de apresentar a sua história de origem. Um dos problemas é a grande quantidade de flashbacks para mostrar uma história que todos conhecem, mas que não acrescenta nada e ainda torna o filme mais longo. Tampouco funciona também o conflito que leva Tarzan a voltar a África, esse não convence e há uma tentativa de fazer o espectador se envolver com o que está acontecendo, porém é sabotado pelo desenvolvimento apressado e superficial. Há também sempre uma necessidade de criar o mito de Tarzan, ele nunca é tratado como uma pessoa qualquer, todos falam como se ele fosse um tipo de iluminado, alguém que tem poderes quase sobrenaturais, o que enfraquece um pouco o personagem.

Quanto a direção que fica a cargo de David Yates, há a tentativa de criar dois ambientes diferentes, a Londres é cinzenta e de cores lavadas enquanto a África tem cores quentes em tons terrosos, contudo isso perde quando se opta pelo 3D (que não vale a pena), pois acaba por tornar todos os ambientes escurecidos, além de sempre vermos a selva em meio a uma névoa que parece evocar o elemento de perigo que ela representa. A direção pode ser classificada como regular, faz todos os clichês de um road movie, mas não consegue conectar as histórias de maneira satisfatória para fazer sentido. O CGI dos animais é muito bem feito e convence, ao contrário do que ocorre com o Tarzan. Outro ponto fraco é a ambientação, em alguns momentos a floresta parece ser muito artificial.  

Quanto ao elenco, Alexander Skarsgård faz um Tarzan fisicamente imponente, mas que nunca muda sua expressão. Seu olhar triste, perdido, de alguém que não sabe o que fazer é permanente, ele não consegue passar a tensão que o filme pede. Margot Robbie faz uma Jane que se recusa a ser a donzela em perigo, mas não há grande material para desenvolvimento. Christoph Waltz mais uma vez como vilão, faz um papel que já se acostumou, sempre de forma competente, todavia sem grandes novidades. Assim como Samuel L. Jackson que acaba sendo o alívio cômico do filme em alguns momentos e em outros faz o papel do espectador, aquele através do qual algumas informações são dadas para o que está acontecendo fazer sentido. Djimon Hounsou faz o chefe Mbonga, personagem que pouco aparece, apesar de sua importância, é uma interpretação muito física.

Antes de assistir ao filme me perguntei se precisaríamos de mais um filme sobre Tarzan, e a resposta no final do filme foi óbvia: Não! O filme não atualiza o personagem, nem traz uma abordagem diferente. O ritmo confuso e os flashbacks não ajudam no envolvimento do espectador, por isso “A lenda de Tarzan” é completamente dispensável.

Elenco: Alexander Skarsgård, Margot Robbie, Christoph Waltz, Samuel L. Jackson, Djimon Hounsou, Jim Broadbent
Roteiro: Stuart Beattie, Craig Brewer e John Collee
Direção: David Yates
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 110 min
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