The Breakdown

Título Original: The Bookshop Lançamento: 22 de março Direção: Isabel Coixet Roteiro: Isabel Coixet com base no romance homônimo de Penelope Fitzgerald Gênero: Drama Elenco: Emily Mortimer,Bill Nighy, Honor Kneafsey, Francesca McGill, Patricia Clarkson, mais Nacionalidade: Espanha, Reino Unido, Alemanha
6.0
Pros
Fotografia, atuações
Cons
-

Dia desses zapeando pelas redes sociais, me deparei com a imagem abaixo, que faz parte da obra do artista mexicano Jorge Méndez Blake, que combina elementos de arquitetura e literatura, uma vez que essas eram suas paixões e através da arte pôde uni-las, ao invés de escolher uma delas apenas com a qual trabalhar.

A obra The Castle, nomeada na redes como O Impacto de um Livro, é reconstruída a cada novo local onde a exposição acontecerá, utilizando os tijolinhos (ladrilhos) comuns, de origem daquele local, porém o livro utilizado é sempre o mesmo, em sua versão em espanhol, El Castillo – Franz Kafka.

Então, considerei a imagem muito adequada para ilustrar o poder que um livro de fato pode exercer na vida de alguém, e abrir esse texto sobre o longa A Livraria, que chegou aos cinemas nacionais essa semana. Sua história foi baseada no romance da escritora inglesa Penelope Fitzgerald, com a adaptação do roteiro e a direção a cargo de Isabel Coixet (que também dirigiu Ninguém Deseja a Noite).

Assim como na obra de Jorge, no filme os livros e Florence Green (Emily Mortimer) são os protagonistas e responsáveis por modificar a estrutura da cidadezinha litorânea de Hardborough, na Inglaterra do ano de 1959 e em especial a vida de Christine (Honor Kneafsey, Francesca McGill), que narra a história. Florence vive sempre acompanhada de seus livros e das boas memórias do marido, o qual perdeu há alguns anos. E é esse amor pelos livros que a faz arriscar tudo para abrir uma livraria, o primeiro estabelecimento desse tipo na úmida, sonolenta e não tão receptiva cidade.

E como bem sabemos, o novo, o diferente geralmente causa estranheza, desconforto e logo desperta ações contrárias por parte daqueles que não conseguem compreender e respeitar, sendo exatamente isso que acontece. Através da liderança de Violet Gamart (Patricia Clarkson) “dama influente na sociedade” vários obstáculos vão surgindo diante de Florence e seu empreendimento.

Não conte com uma trama super movimentada, porém há muito que se observar em suas nuances e sublinhados. Assim como um bom livro, o filme abre espaço para que você possa criar a partir de seus silêncios, suas paisagens bucólicas e personagens de olhares bem expressivos. Inclusive a linguagem corporal compõe fortemente muito das cenas, conduzindo para aquilo que não se pôde ser expressado verbalmente mas está ali muito presente, muito real.

Com um final que foge do comum, foi uma sequência bem construída e alimentada, revelando como um bom livro além de nos conduzir em suas jornadas, provocar aprendizados e novos conhecimentos, pode agregar muito mais que isso às nossas jornadas individuais, a medida que nos revela novos horizontes, outras tantas perspectivas e é ainda capaz de aproximar e estabelecer vínculos fortes de amizade, carinho, respeito, amor e admiração.

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