A primeira protagonista da Marvel | Crítica


Nota:

Data de lançamento: 7 de março de 2019 Direção: Anna Boden e Ryan Fleck Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Jude Law e mais Gêneros: Ação/Fantasia/Ficção científica Nacionalidade: Estados Unidos Duração: 124 min
6.0

Após a missão para resgatar um companheiro falhar, a poderosa Vers (Brie Larson, vencedora do Oscar de “Melhor Atriz” por Quarto de Jack) acaba vindo parar na Terra, perseguida pelos Skrull, raça alienígena inimiga do seu povo, os Kree. Sem perder tempo, ela se reúne a Nick Fury (Samuel L. Jackson), agente da Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão, a S.H.I.E.L.D., e procura evitar que os Skrull tragam problemas a este planeta.

No meio do caminho, no entanto, Vers acaba descobrindo informações que desconhecia sobre sua identidade e seu passado, como a de que era uma piloto da Força Aérea chamada Carol Danvers, dada como morta há 6 anos, o que a ajuda a se conectar consigo, entender mais sobre sua outra vida na Terra, os seus companheiros Kree, seu mestre Yon-Rogg (Jude Law) e a Inteligência Suprema (na visão da heroína interpretada por Annette Bening). É a partir desse entendimento, além de um toque de empoderamento pessoal, que a personagem consegue assumir o papel de uma das heroínas mais poderosas do universo Marvel.

Capitã Marvel (Captain Marvel) chega com a urgência de apresentar a heroína ao público antes do derradeiro Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame), que estreia no próximo dia 25 de abril. Talvez por esse motivo o filme pareça espremido na cronologia do Marvel Cinematic Universe (MCU), após mais de vinte filmes contando as histórias desses heróis, e fraqueje ao justificar parcamente o porquê da heroína não ter se juntado aos Vingadores bem antes (na vida real sabemos que era só uma questão de tempo até que a personagem saísse do papel e se reunisse à equipe de heróis).

O longa mantém um ritmo quase estático, com poucos momentos verdadeiramente empolgantes, fazendo com que o seu bom andamento nunca se exceda. É um filme seguro para a introdução de uma personagem importante. Está presente o misto de ação e comédia que funciona tão bem no MCU e, com uma história que se passa em 1995, há uma chuva de referências nostálgicas com um poder imenso de cativar o público, com músicas de bandas como Nirvana e Hole, jogos de fliperama, jukeboxes, jaquetas de couro e camisas de flanela.

Um dos pontos altos da história é, sem dúvidas, a relação entre a heroína e Fury, bem mais novo e ainda bastante distante da figura séria e intimidante que conhecemos há quase dez anos. Os personagens se conectam logo que se encontram e a amizade acaba surgindo rapidamente, desenvolvendo-se ao longo da história. Ao final do filme, já são os melhores dos amigos e a química entre Larson e Jackson é tão boa que não há como colocar aquela amizade em cheque.

Apesar de alguns (poucos) contras — como efeitos especiais um tanto quanto esdrúxulos — , o longa marca a importantíssima estreia de uma mulher como protagonista de um filme do MCU, algo que a Marvel, que já conta com a Viúva Negra (Scarlett Johansson) e a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) em seu portfólio há algum tempo, deveria ter feito bem antes e, provavelmente por questões comerciais e o machismo ainda muito presente na cultura nerd de recepção do público, não o fez. Dessa forma, é gratificante ver o cinema acompanhar os quadrinhos que, nos últimos anos, já trouxe a jovem Riri Williams tomando para si o posto do Homem de Ferro e Jane Foster assumindo o controle do Martelo de Mjolnir e se tornando a nova deusa do trovão Thor.

O elenco ainda conta com os retornos de Lee Pace como Ronan, o Acusador, apresentado anteriormente em Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy); e Clark Gregg como o Agente Coulson, que não era visto nos cinemas desde a sua “morte” em Vingadores (Avengers). Na realidade, o personagem foi trazido de volta à vida na série Agents of S.H.I.E.L.D., atualmente em sua sexta temporada.

Dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck, Capitã Marvel é diversão do nível Marvel, feito para agradar até quem não é fã das histórias em quadrinhos. O filme estreou no Brasil na última quinta-feira (7), véspera do Dia Internacional das Mulheres, data oportuna para trazer mais uma guerreira ao mundo.