A verdade por trás de 13 Reasons Why


Vou direto ao ponto aqui e quero deixar claro que não sou nenhum especialista e só estou dando minha opinião e fomentando um debate que acho muito importante nos dias de hoje, ok? Esperei o hype dessa série passar para que eu pudesse assistir, exatamente pela quantidade de polêmicas e debates que ela estava gerando. Eu queria ter uma experiência imersiva sem influências externas, para aproveitar ao máximo o que a obra tinha a oferecer de acordo com minha interpretação pessoal.

Assistir 13 Reasons Why foi uma das experiências mais fortes que já tive dentre os inúmeros produtos de entretenimento que estou acostumado a consumir. Essa série não é sobre suicídio, assédio, estupro ou nada dessas polêmicas que todo mundo tem falado nas últimas semanas. Essa série é sobre empatia e sobre a forma como a gente trata aqueles que estão ao nosso redor. Os crimes retratados na trama são consequência de uma sociedade doente, egocêntrica e fútil.

Não vi romantização nas atitudes tomadas por Hannah. Vi realidade. Felizmente, não vivi uma realidade de bullying e pude estudar durante toda a minha vida em um colégio onde essa cultura era praticamente nula. E mesmo assim cheguei à idade adulta com questões internas que até hoje tenho dificuldade de resolver por causa da sociedade em que vivemos. Imagina se não fosse esse o caso. Eu não vivi essa realidade hostil no meu colégio, mas conheço pessoas que viveram. E não gosto nem de imaginar as coisas que muitas delas passaram.

Para todos que estão dizendo que essa série não é para pessoas que sofrem de depressão ou algum transtorno psicológico, eu concordo. Porque o alvo dessa série não são essas pessoas. Elas conhecem esse sentimento e essa angústia retratada na história de Hannah e não precisam de mais uma dose disso. O alvo dessa série são os familiares, os amigos, os professores, os chefes, os namorados, os colegas e conhecidos delas. Todos que vivem ao redor de pessoas que travam uma luta diária dentro da própria mente para encontrar uma razão de viver mais um dia em uma sociedade podre como a nossa. Pessoas que enxergam os sinais, mas na verdade não enxergam de verdade.

Quem na verdade romantiza a depressão e outros transtornos são aqueles que dizem que esses males são apenas “frescura”, “preguiça”, “falta de vergonha na cara”, “drama”, “fraqueza”, “necessidade de chamar atenção”. São aqueles que não buscam entender a causa de massacres em escolas americanas, do aumento da taxa de depressão e suicídio entre os jovens, mas só fazem julgar e apontar o dedo como se eles fossem os únicos culpados pelas atitudes que tomam. Isso fica claro o tempo todo na série quando todos os personagens tentam tirar a culpa da morte de Hannah de suas mãos. Quando todos tentam dizer que a culpa é apenas dela por decidir se matar. Não é.

Clay percebeu que nós precisamos mudar a forma como tratamos uns aos outros. Ele viu os sinais em Skye. E quando disse que, mesmo não estando bem, ele queria ajudar Skye, ele provou que essa série veio para mostrar que precisamos pensar mais no próximo e menos em nós mesmos. Pensem nisso. Pensem no próximo. Ajudem. Não sejam um porquê.

Compartilhar um número de emergência na timeline de uma rede social e logo em seguida continuar compartilhando, curtindo e comentando coisas que fomentam o ódio e o desrespeito não vai ajudar ninguém. Milhares de pessoas estão nesse momento sofrendo por causa de homofobia, gordofobia, xenofobia, racismo, entre outras formas de intolerância. A melhor forma de ajudar é conversando, mostrando interesse, estando ali para apoiar e demonstrando amor por aqueles que precisam de nós.

E se você chegou até o final desse texto e, por algum motivo, precisa conversar com alguém, por favor me procure ou procure alguém que te faça se sentir confortável para se abrir. Ninguém está sozinho nesse mundo e todos temos uma vida linda pela frente que merece ser vivida. Tudo vai ficar bem, acredite. 🙂

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