A Viagem de Fanny | Crítica


A beleza melancólica presente no olhar daqueles que lutaram por uma chance mínima que fosse de escapar dos terrores presentes na guerra. Inspirado em uma história real, o longa A Viagem de Fanny que estreia nos cinemas nacionais nessa quinta, 10/08, retrata uma passagem da vida de Fanny Ben-Ami, uma judia que na adolescência precisou liderar uma fuga desesperada de um grupo de crianças judias, das quais duas eram as suas irmãs mais novas, cruzando algumas cidades Francesas durante a ocupação alemã para chegar até a fronteira com a Suíça e escapar da morte, após perderem o abrigo e os adultos que lhes ajudavam, quando já estavam distantes de suas famílias por causa da guerra.

A protagonista que ganha vida através da bem sucedida atuação de Léonie Souchaud tem uma personalidade forte, é corajosa, inteligente e tem como marca registrada a sua obstinação, tanto que é essa obstinação que a permite acreditar quando todos os outros já não possuem mais forças para lutar, quando estão perdendo a esperança, quando é preciso encontrar novos caminhos e possibilidades estando cansada, com fome, sono e ainda tendo que acalmar a insegurança e medo alheios. Cada um dos pequenos representa não somente a batalha dos que sobreviveram, como também as muitas vidas que foram perdidas nesse caminho tortuoso até a liberdade.

A diretora Lola Doillon que também contribuiu na adaptação do roteiro baseado no livro escrito por Fanny Ben-Ami, conduz de forma precisa e delicada a história, com momentos tensos, dolorosos e também de algum alívio, descanso e até de alegria. Lola conseguiu encontrar o tom certo pra contar, nos permitindo acompanhar o amadurecimento dessas crianças que aprendem a se unir, organizar-se, construir laços de amizade, criar empatia pelos outros e a lutarem pelo que precisam conquistar. Apesar de ser ambientado em meio à Segunda Guerra, o longa é composto de belas paisagens naturais, com muito verde dos campos, das matas e o azul do céu. É um acerto direto em nosso coração por nos recordar o quanto essa guerra destruiu, pelo que ainda reverbera dela e por saber que mesmo com tantos danos, muitas outras guerras ainda acontecem diariamente em várias partes do mundo. A Viagem de Fanny é sem dúvida uma obra que merece ser apreciada e refletida, considerando que já se passaram mais de 70 anos do fim da Segunda Guerra e o mundo ainda continua tão intolerante e preconceituoso.

Na foto acima temos lado a lado a senhora Fanny e a atriz Léonie nos bastidores do filme. Uma curiosidade é que a jovem Fanny liderou um grupo de 28 crianças e não de 9 como foi retratado no filme. Atualmente ela vive em Israel.

Título Original:  Le Voyage de Fanny

Lançamento: 10  de agosto

Direção: Lola Doillon

Roteiro: Lola Doillon, Anne Peyrègne
Baseado no romance de Fanny Ben-Ami

Elenco: Cécile de France, Léonie Souchaud, Fantine Harduin

Gênero: Drama

Nacionalidade: França, Bélgica

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