A Visita | Crítica do filme


Shayalamalan foi um diretor/ roteirista que começou uma carreira brilhante com o seu “sexto sentido” (1999) e foi sendo aos poucos desgastada por projetos infelizes chegando ao ápice em “fim dos tempos” (2008). Esse poderia ser o retorno do diretor ao bom cinema, mas ficou só no poderia, pois não é, infelizmente.

Somos apresentados a Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould), que vão passar 7 dias na casa dos avós (Deanna Dunagan E Peter McRobbie) pois sua mãe fará um cruzeiro com o namorado. Afastada dos pais por anos em consequência de sua fuga com o namorado (pai das crianças que depois os abandona), as crianças veem a chance de curar essa “ferida”e aproximar a mãe dos avôs. Aos poucos eles percebem comportamentos estranhos e desconfiam que os avôs tem segredos a esconder.

O roteiro foi escrito pelo próprio Shayamalan e tem uma estrutura de forma geral boa. O argumento usado no desenvolvimento da história é aceitável, o comportamento estranho dos avôs é explicado por problemas da própria idade e pode acometer qualquer idoso. É factível e ajuda a aumentar o mistério, embora muitas situação acontecem de forma gratuita. O fato do filme ser foud fondage (filme em primeira pessoa) feito por crianças se mostra uma opção interessante por duas razões: 1) Por sua natureza curiosa e de pouca maturidade uma criança filmaria tudo, inclusive os avós em situações constrangedoras/ estranhas e 2) Elas se divertem ao fazer as filmagens, o que trás momentos muito engraçados.

Contudo há aspectos problemáticos no roteiro, as fobias e os traumas, todos ligados ao pai, desenvolvidas pelas crianças, são apresentados e trabalhados de forma rasteira, e servem apenas para funcionar em um momento especifico. E sendo marca registrada do cineastra a grande reviravolta no final, que apesar de ser surpreendente, o modo como ela é apresentada enfraquece

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Quanto a direção é triste perceber que Shayamalan não consegue mais criar um ambiente tão tenso como antes, mesmo em filmes onde o roteiro não era tão bom, como em Sinais(2012), a tensão criada prendia o suficiente para manter o interesse. Agora há uma sequencia, no inicio, muito boa e seu desfecho é bem interessante, contudo toda a tensão ao longo da história não consegue carregar o filme, por mais que algumas sequencias sejam interessantes nenhuma delas consegue ter peso. A opção pela primeira pessoa foi um risco assumido pelo diretor, e há momentos que tive impressão de arrependimento, mas já não tinha como mudar.

Quanto ao elenco as crianças se destacam, conseguem fazer um trabalho muito bom. Olivia DeJonge passa uma real preocupação com sua mãe e sua tentativa de resolver a questão com os avós. Ed Oxenbould, faz um menino alegre que sonha em ser rapper e apesar de não estar tão envolvido quando a irmã na questão de sua mãe, faz de tudo para que ela tenha sucesso e é ele mais atento as esquisitices de seus avós. Já os idosos Deanna Dunagan E Peter McRobbie são as escolhas certas para o papel. Ela, com uma expressão de avó amorosa passa um sentimento de conforto, e quando é necessário ser assustadora tem a mesma habilidade. Ele um senhor preocupado com a condição da esposa, sendo um avô que mesmo não muito carinhoso, passa um sentimento pelos netos, e se mostra o mais ameaçador dos dois.

A Visita é um filme que apesar de brincar com o gênero primeira pessoa (há referencias a outros filmes) não trás nada de novo. Sua tensão é mediana e seu psicologismo o deixa um pouco enfadonho. Torçamos para que o diretor/roteirista consiga fazer filmes melhor, ainda não foi dessa vez.

Elenco: Ed Oxenbould, Olivia DeJonge, Kathryn Hahn,Benjamin Kanes
Direção: M. Night Shyamalan
Gênero: Terror
Duração: 94 min.
Distribuidora: Universal Pictures
Estreia: 26 de Novembro de 2015

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