Além das Palavras | Crítica


 

Uma vida inteira dedicada às palavras, uma jovem considerada rebelde, uma mulher destemida, um talento imenso. Através do filme “Além das Palavras”, do cineasta Terence Davies, estrelado por Cyntia Nixon, podemos desvendar um pouco da história dessa mulher, a poetisa americana Emily Dinckson. O longa que estreia no dia 27 de abril acompanha desde a sua decisão de abandonar o seminário por não se sentir como os demais em relação à fé e se recusar a declarar publicamente algo que não sentia, até sua morte aos 55 anos.

Quando confrontada, em momento algum deixava o interlocutor sem resposta, respostas frequentemente assertivas e incisivas. Cyntia em sua interpretação transborda vivacidade e talento, de modo que fica impossível não acreditar que a própria Emily tinha o mesmo olhar iluminado, a fala ágil e a delicadeza dos gestos ainda quando agia de forma áspera, impaciente ou mesmo irritada.

Ao meu ver o roteiro se alonga de maneira demasiada, creio que tudo poderia ter sido um pouco mais dinâmico. Contudo o longa ganha pontos com a composição de objetos, figurinos, música e o balanço entre iluminação e sombras de forma notável, tornando crível o ambiente que está diante de nossos olhos, o ar bucólico daquele tempo. Já as atuações demonstram genuinamente os hábitos pertinentes àquele século, a formalidade no tratamento aplicada mesmo em relações com amigos próximos e familiares, a submissão diante da fé e da igreja – a qual Emily se negava – , a importância dos rótulos e aparências diante do olhar alheio, crítico, repressivo. Nesse sentido percebe-se que muito daquela época ainda reside em nossos dias, em nós, na nossa forma de agir e pensar, independente do tempo que nos distancia daquele momento na história.

A despeito da rejeição sofrida à seus poucos poemas publicados em vida, Emily passou a ser considerada após a sua morte e a publicação de sua obra completa, que somava um número superior a 1700 poemas, uma escritora moderna. Apesar de levar uma vida comum à muitas outras mulheres – como podemos bem observar no filme, uma vez que ela se restringia a cuidar dos pais junto a irmã, seus passeios pelo jardim e os grandes períodos refugiada no quarto escrevendo – ela fez da escrita sua forma de expressão, de revelar ao mundo o seu olhar sobre a vida, a natureza e o ser humano, e encontrava inicialmente nas madrugadas o momento ideal para manifestar-se, entretanto com o tempo, sua reclusão a permitiu dedicar-se inteiramente ao seu dom até o fim de seus dias.

Título Original: A Quiet Passion

Lançamento: 27 de abril

Direção: Terence Davies

Roteiro: Terence Davies

Elenco: Cyntia Nixon, Jennifer Ehle, Keith Carradine

Gênero: Drama

Nacionalidade: Reino Unido, Bélgica

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