Alice Através do Espelho


Acabou a espera e a ansiedade dos fãs da personagem de Lewis Carroll, Alice Através do Espelho já está em todos os cinemas do Brasil com classificação livre.

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Os fãs e admiradores da garotinha Alice, que desbravou um mundo maravilhoso, após cair num buraco, e que logo em seguida viveu suas aventuras num mundo através do espelho, com todas as coisas ao contrário, já podem conferir o filme dirigido por James Bobin nos principais cinemas do país.

O longa metragem é baseado no conto Alice Através do Espelho, uma continuação de Alice no País das Maravilhas – cuja obra original é de Lewis Carroll -, e trouxe de volta a maior parte do elenco e dos personagens do primeiro filme, lançado em 2010, com direção de Tim Burton e texto de Linda Woolverton. No entanto, assim como no anterior, o roteiro não traz um texto espetacular e o que desperta a atenção são os efeitos especiais, que tomam a cena e encantam.

Após uma longa viagem pelo mundo, Alice (Mia Wasikowska) volta e reencontra sua mãe. E durante uma grande festa num casarão, onde comparece para tratar de negócios, ela encontra um espelho mágico e atravessa o objeto, indo parar no mundo das maravilhas outra vez. Lá a menina descobre que o Chapeleiro (Johnny Depp) está correndo perigo de vida, tomado por uma grande tristeza que o assola, devido a uma descoberta sobre o seu passado. Mas somente Alice pode salvar seu amigo, para isso a menina precisa conversar com o Tempo (Sacha Baron Cohen) e voltar às vésperas de um acontecimento fatídico e traumático, para só assim mudar o destino do Chapeleiro. E no meio disso tudo ela ainda descobre o que separou as irmãs Rainha Branca (Anne Hathaway) e Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter).

Com um elenco espetacular e interpretações satisfatórias, Alice Através do Espelho chega às telonas dos cinemas impressionando mais com os efeitos especiais do que com a história em si, que não se aproxima em nada do texto rico e complexo da obra original. Engana-se quem pensa que Alice Através do Espelho é uma adaptação do conto escrito por Carroll. O longa se encaixa mais na definição de releitura do que adaptação. O filme nos envolve num cenário totalmente diferente do original, apresentando referências com objetos da história de 1871, que aparecem rapidamente no início da película – me refiro ao jogo de tabuleiro e ao espelho, fiel ao desenho de Tenniell. Se estiver esperando por uma história onde o cenário fica de ponta cabeça e apresenta caminhos contrários, como é visto quando você se vê diante do espelho, é possível que você se decepcione.

No entanto, se estiver esperando por cenas leves, com uma mensagem clichê, muitas cores e figurinos impecáveis você não terá problema algum. Com uma trama voltada para a história do Chapeleiro Maluco, interpretado pelo incrível Deep, você vai se deparar com cenas bonitas, mas nada memoráveis, a não ser a sensação que o filme em 3D causa, como se estivéssemos passando para o outro lado da tela.

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A grande novidade do mundo de Alice ficou por conta do novo personagem, conhecido como Tempo, e seus seguidores. Ora um vilão, ora um ser bobo, o personagem carrega em si uma metáfora que envolve o passado, o presente e o que a gente faz com os momentos que nos são dados. E aqui está a grande mensagem do filme, que como já disse é um verdadeiro clichê, mas que realmente merece ser lembrado, principalmente ao público infantil, que marca presença nas salas de cinema: “Você não pode mudar o passado, mas pode aprender com ele”.

Além da lição sobre o tempo, é nítido o destaque dado à importância da família na construção de quem somos e dos amigos, que estão sempre preparados para nos dar as mãos e lutar junto com a gente. E o direito da mulher também é uma questão tratada sutilmente na história, além da antiga lição do primeiro filme, que nos diz que “A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível”.

Alice Através do Espelho, de título original Through the Looking Glass, traz no elenco, além dos personagens principais os atores Rhys Ifans (O Espetacular Homem Aranha, 2012), Matt Lucas (Alice no Pais das Maravilhas, 2010) e Ed Speleers (Downton Abbey, 2010-2015). A trilha sonora, intitulada “Just Like Fire”, fica por conta da cantora norte-americana Pink.

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