Alien Covenant | Crítica


Com grandes expectativas, Alien: Covenant” estreia no país nesta próxima quinta-feira (11), o longa traz novamente Ridley Scott na direção, e se consagra como especialista do gênero, desde Alien – O 8° Passageiro”, os seus filmes são referências em ficção científica, Scott assina também Perdido em Marte” (2015), Blade Runner” (1982). Em Covenant não seria diferente.     

Sequência de Prometheus” (2012), Covenant (nave espacial) está em rota para um novo planeta numa missão colonizadora, com 2 mil pessoas em estado de hibernação, além da tripulação. Mas algo dá errado, um acidente acontece, e Walter (Michael Fassbender), é obrigado a acordar a tripulação e muda totalmente o destino de todos à bordo.

O filme já começa com fortes cenas de ação, após os reparos na nave o Capitão Oram (Billy Crudup), descobre um novo planeta (não tão novo assim) a poucos dias de viagem, com variáveis favoráveis para habitação e toma a péssima decisão de explorá-lo. É quando toda a emoção começa.

Com roteiro de John Logan, Dante Harper, Dan O’Bannon e Michael Green, temos aqui uma história que faz “curvas”. O eixo da narrativa vai mudando a cada instante de acordo com alguns acontecimentos, o que parece ser a construção de um novo começo (por se tratar de uma missão colonizadora), na verdade é um recomeço de onde tudo parou em “Prometheus”. E neste filme, é possível perceber que Scott nos apresenta uma explicação dos fatos que antes eram incógnitos, tudo passa a fazer sentido.

Isto é uma  faca de dois gumes, ao mesmo tempo tem um lado positivo e um negativo. Positivo, pois a história vai se adequando às novas narrativas e muda de acordo com o ambiente (surpreendente), e por outro lado o desenvolvimento dos personagens fica prejudicado, e não conseguimos nos importar com seus destinos (como nos importamos com o de Ripley no primeiro Alien), apenas com o Walter, afinal de contas, Fassbender consegue humanizar o personagem, seu desempenho é apaixonante. Ele consegue encontrar um equilíbrio entre a batalha eterna de máquinas versus humanos, e escolhe pelo que é certo. Outra consequência é a extensão do filme que é maior do que deveria deveria.

“Alien: Covenant” mistura ação, drama, ficção científica e terror, sendo este último o que está menos representado, apesar das criaturas neste episódio estarem mais repulsivas e  nojentas que nos outros. O drama toma maior parte da história e há uma pitada de filosofia, com pequenas digressões sobre a fé e a razão, num ambiente em que a segunda é mais valorizada que a primeira. É importante informar que o alien não é a grande ameaça a ser vencida, este é apenas um acessório na história.

Contudo nunca há um aprofundamento dessa questão, ficando apenas no superficial. Mais uma vez, assim como em “Prometheus”, há decisões de cientistas que são claramente estúpidas, usadas só para fazer a história andar, o que enfraquece a ação dos personagens. Há um uso já esperado de clichês dos gêneros já citados, contudo o final dessa história é diferente do que vimos nos outros filmes da franquia e deixa um gancho interessante para próximas continuações.

A direção de Scott não se diferencia muito dos outros capítulos que vimos. Ele é muito competente em criar um ambiente de ameaça, e essa fórmula se repete aqui. O que se destaca, e surpreende, neste novo trabalho é o gore, num cinema que está se acostumando a ser asséptico, temos aqui exageros, há muito sangue e gosma nojenta, fãs desse tipo de terror vão gostar.

“Alien Covenant” não consegue repetir o mesmo clima angustiante e de mistério que vimos no seu antecessor nem tampouco responder as questões fundamentais. É um filme oscilante, longo demais e que se conecta remotamente ao universo do primeiro Alien.

Título Original: Alien Covenant

Lançamento: 11 de maio

Direção: Ridley Scott

Roteiro: John Logan, Dante Harper, Dan O’Bannon, Michael Green

Elenco: Michael Fassbender, Billy Crudup

Gênero: Suspense, ação, ficção científica, terror

Nacionalidade: EUA, Reino Unido

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