Nota:

Título Original: Altas Expectativas Lançamento: 07 de dezembro de 2017 Direção e Roteiro: Antônio Pedro Paes e Álvaro Campos Elenco: Léo reis (Gigante Léo), Camila Márdila, Maria Eduarda de Carvalho, Felipe Abib, mais Nacionalidade: Brasil Gênero: Comédia dramática
5.0
Pros
A iniciativa de escolher um protagonista anão, focar mais na evolução do personagem que no romance em si.
Cons
Quebra na dinâmica da história com as cenas de stand up, não explorarar tanto a questão da acessibilidade.

O humor é como um tempero, capaz de agregar uma nova percepção, evidenciando características que possivelmente você não havia considerado antes. Quando o utilizamos como uma lente diante da vida e das nossas vivências, as chances de que as coisas fluam melhor é bem grande, acredito eu. Com o ator e humorista Leonardo Reis, mais conhecido como Gigante Léo o humor foi a ponte que o conectou a alguém especial, a quem ele poderia amar e o sentimento se tornar recíproco. Da mesma forma Décio, o protagonista vivido por ele em Altas Expectativas, que chega aos cinemas nessa quinta (07/12) encontrou no humor a maneira de se aproximar e tentar conquistar a mulher que o encantou.

Léo, sua esposa Carol e a filha Luísa em pré do filme. Foto: Agência Febre

Lena (Camila Márdila) não é muito de sorrir, a impressão é que ela foi deixando que todos os problemas pelos quais estava passando lhe roubassem o brilho nos olhos e a perspectiva de dias melhores, porém Décio consegue despertar nela com seu jeito atencioso e os bilhetinhos fofos e cheios de humor uma centelha de alegria. E não é que ele não tenha questões com as quais lidar diariamente – afinal, todos temos -, na verdade ele sofre diariamente na pele o preconceito por ser um anão e ainda com as limitações físicas para locomoção e execução tarefas consideradas simples para quem possui uma estatura considerada comum.

Mais que uma comédia romântica, Altas Expectativas é uma história de superação, tanto dos personagens, quanto de toda a equipe envolvida, considerando que a escolha de um protagonista anão, com um enredo inclusive livremente inspirado em situações da vida do ator não é uma escolha tradicional. E também porque na minha percepção, trata-se mais de uma evolução do personagem, ao ser capaz de vencer sua insegurança, o seu medo de julgamento e rejeição, tratamento que lhe é frequentemente imposto.

E assim como Extraordinário, que também faz sua estreia no Brasil essa semana, o longa traz uma mensagem sobre empatia e como ter essa capacidade pode influenciar positivamente nas nossas atitudes diante do nosso semelhante. As pessoas com deficiência ou com qualquer outro problema não precisam da nossa pena ou nosso preconceito, o que elas precisam – como qualquer outra pessoa – é serem tratadas com respeito. Se você não pode fazer nada que agregue, também não cause um dano. Na maioria do tempo não nos damos conta disso. A relação de amizade apresentada entre Décio e a personagem Lia (Maria Eduarda de Carvalho) cumpre bem a missão de exemplificar isso e ainda se apresenta de forma genuína e divertida. O personagem Tassius de Felipe Abib também contribui muito bem nessa missão.

Os diretores Antônio Pedro Paes, Álvaro Campos, a atriz Maria Eduarda de Carvalho e Léo Reis em pré do filme. Foto: Agência Febre.

O longa é uma boa oportunidade de parar e avaliar como há muitas lutas sendo administradas ao nosso redor e que estamos tão focados no que não temos, em como as coisas são para nós, que não nos permitimos um olhar de verdade e empático para quem segue, como nós tentando conquistar uma vida digna. Outra questão pertinente de se destacar sobre ambas as histórias além da empatia, é o fato de que quando se fala em empatia, sempre pensamos no outro, porém algumas vezes precisa-se ser empático consigo, com aquele que melhor sabe da sua luta, você. Pois geralmente podemos ser nossos próprios carrascos, exigindo ir além do que somos capazes, não respeitando o nosso tempo de aprendizado e evolução.

Veja mais sobre as minhas percepções no papo que eu tive com o Léo Reis e os diretores Antônio Pedro Paes e Álvaro Campos.