É muito difícil ser verdadeiramente original na televisão. Quase tudo já foi criado, as histórias são muitas vezes recicladas, idéias que circulam desde muito tempo por aí. Isso é o que basta para sabermos quão complicado é encontrar um ponto de vista diferente, uma nova abordagem para justificar novas histórias contadas.

Se você fizer uma história de ficção cientifica, localizada em uma cidade futurista cheia de anúncios néon, tão grandes como arranha-céus, e que envolve transferência mental em corpos sintéticos, será difícil evitar a influência do filme Blade Runner, por isso, você precisa oferecer algo mais, sejam personagens com carisma ou um enredo viciante, um extra que permita, que os espectadores não pensem constantemente que outro projeto fez tudo isso antes.

Netflix deve produzir versão americana de La Casa de Papel

Esse é o grande desafio que Altered Carbon enfrenta. Isso, e que o público entenda bem um mundo que, a princípio, pode parecer incômodo demais. Na série estamos a três séculos no futuro, em um momento que você pode baixar a mente em fichas especiais que garantem a imortalidade; Se o corpo físico morre, você pode usar outros corpos, nos quais o chip é instalado com a nossa consciência.

É assim que o milionário ‘Laurens Bancroft’ vive há mais de 300 anos, e que ‘Takeshi Kovacs’ volta à vida. Kovacs recebe uma segunda chance para investigar o assassinato de Bancroft, mas ele arrasta seus próprios traumas a cada nova capa. E o mundo em que ele vive é um lugar com extrema desigualdade social; somente os mais ricos podem se dar ao luxo de usar as capas de “boa qualidade”.

Apoiando-se nesse cenário, seus criadores tiveram a tarefa ingrata de produzir uma enorme quantidade de informação para o telespectador desde o primeiro episódio.

Netflix salva o Diabo para produzir a quarta temporada

O universo criado por ‘Richard K. Morgan’ no livro original é complexo, às vezes desnecessariamente complicado, e a série faz todo o possível para que possamos ter uma ideia clara das regras que governam esse mundo.

Nos detalhes, é onde Altered Carbon se destaca. A série tem um design de produção abundante e acabamento fabuloso de imagem, o que apenas soma ao seu elenco. Além da crítica social, sua mensagem é muito clara: se o ser humano perde sua finitude, ele se desumaniza. E apesar de sua escuridão e das questões sobre as quais a série trata, há espaço para um senso de humor. Essa, está destinada a ser um sucesso do público e, pode se tornar uma série emblemática, abrindo caminho para a ficção científica de alto orçamento na Netflix.

Curiosidade:

O episódio piloto foi dirigido pelo veterano ‘Miguel Sapochnick’ (vencedor de um Emmy pela direção de um episódio da série Game of Thrones)

Netflix produzirá ‘10 After Midnight’, a nova série de Guillermo del Toro

No Comment

Queremos saber o que você achou. Comente!