The Breakdown

Título Original: Red Trees Lançamento: 29 de março Direção: Marina Willer Roteiro: Marina Willer Gênero: Documentário Elenco: Família Willer Nacionalidade: Brasil, Reino Unido
8.5
Pros
História, fotografia.
Cons
-

“Eu nunca entendi o apego por uma nação, uma cultura, uma origem.

As nossas origens são muitas, as nossas jornadas completamente imprevisíveis.

Nós somos uma mistura, e nisso há beleza.”. Alfred Willer

Não encontrei melhor maneira de começar esse texto, que não pela fala de alguém que viveu tanto, coisas inimagináveis, dolorosas, porém escolheu guardar para si, sem se tornar alguém amargo ou rancoroso. Pelo contrário, seu olhar e seu jeito pausado ao falar revelam uma sabedoria e respeito pela vida, pelos seres humanos e por esse imenso universo do qual fazemos parte.

E é começando pelo olhar de Alfred Willer, que somos introduzidos à sua jornada e de seu pai, no documentário Árvores Vermelhas (Red Trees), que chega aos cinemas do Espaço Itaú a partir desta quinta, 29 de março de 2018. Obra esta que surgiu da necessidade de seu filhos, Marina Willer e Marcelo Willer de reunirem memórias que compõe a história de sua família, de seu pai, agora idoso e que nunca compartilhou muito sobre seu passado e vivências antes de emigrar para o Brasil, onde eles nasceram anos depois.

Inicialmente, Marina que já é uma premiada designer decidiu reunir e contar essa história através de um curta-metragem, projeto que foi colocado em um site para a captação de recursos por meio de doações, onde foi descoberto e despertou o interesse do patrono das artes e cinema, Charles S. Cohen da Cohen Media Group, produtora do Reino Unido que complementou a verba para que o curta se transformasse no belo e delicado longa documental que podemos assistir agora. Eles também são produtores de Visages, Villages, documentário indicado ao Oscar 2018.

Alfred e seu pai fugiram do governo nazista em Praga, República Checa, durante a Segunda Guerra Mundial, e emigraram para o Brasil. Eles foram uma das únicas 12 famílias judaicas e checas a sobreviver ao Holocausto, e encontraram em nosso país um povo acolhedor e foi onde puderam então recomeçar suas vidas, deixando guardado no fundo da memória os horrores vivenciados numa guerra insana e tão destrutiva quanto foi a Segunda Guerra.

A narrativa, ora por Alfred, ora por Marina são integradas as paisagens que reconstroem diante de nossos olhos cada uma das experiências, tanto as boas quantos as torturantes, as últimas que só começaram a ser compartilhadas com os filhos durante uma viagem feita por eles para visitar os locais onde seu pai havia vivido na Europa. Inclusive há no documentário trechos de gravações captadas por eles na ocasião, onde o pai conta como tiveram de dividir casa com outra família, onde se esconderam por dias, sobre a fábrica onde o avô deles trabalhou, os receios de ser judeu num território onde eram desprezados, odiados, exterminados e ainda o fato de ter presenciado o fuzilamento de um soldado alemão na frente de sua casa após a ocupação dos Aliados.

A arquitetura com seus designers diversos ganhou grande destaque na narrativa, não somente por ser um amor, um ofício, um dom familiar como também por em si só expressarem muito do que aconteceu naqueles locais onde as casas e prédios foram construídos, destruídos e onde insistem em resistir.

A emoção causada pela história dos Willer se mistura com as nossas e de nossas famílias, e do mundo que embora tenha perdurado à uma guerra como aquela e tantas outras que vêm sendo travadas até hoje, sua população persiste em segregar, humilhar e desrespeitar o que ou quem não é igual.

E para encerrar, deixo aqui um questionamento para reflexão:

Até quando iremos sobreviver à intolerância?

Que atitudes podemos tomar para não somente sobreviver, contudo vencer esse mal que está nos dominando?

 

Assistam agora nossa entrevista com Marina e Marcelo Willer

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