Nota:

Título Original:  Murder on the Orient Express Lançamento:  30 de novembro de 2017  Direção: Kenneth Branagh Roteiro: Michael Green baseado no livro de Agatha Christie Elenco: Penélope Cruz, Michelle Pfeiffer, Kenneth Branagh, Daisy Ridley, Judi Dench, Johnny Depp, Josh Gad, Leslie Odom Jr, Willem Dafoe, Derek Jacobi, Lucy Boynton, Olivia Colman, Tom Bateman, Sergei Polunin e Marwan Kenzari Nacionalidade: EUA Gênero: Suspense, mistério, drama
7.0
Pros
Interpretações, Fotografia
Cons
O timimg no terceiro ato

Adaptação do livro lançado em 1934, de Agatha Christie, uma das mais famosas escritoras do mundo e considerada a “Rainha do Crime” por sua habilidade de construir tramas ricas em suspense, mistério e elementos que deixam os leitores afoitos por mais, chega hoje aos cinemas nacionais, Assassinato no Expresso do Oriente.

Dirigido por Kenneth Branagh, que também traz a vida o confiante e astuto detetive Hercule Poirot, o longa é uma adaptação que não decepciona, para quem assim como eu leu o livro. Logicamente, há que se considerar as diferenças em cada linguagem, contudo todos aqueles detalhes e elementos interessantes e instigantes estão lá e as pequenas alterações agregam valor à história que já é muito boa. Provavelmente apenas um trecho mais ao fim, pudesse ter sido conduzido mais suavemente, entretanto o diretor e protagonista optou por inserir de forma desnecessária e abrupta algumas informações do livro, entretanto nada que macule o seu êxito no desenvolvimento da produção.

A paleta de cores traz uma aura clássica que a trama exige, e de alguma forma permite a sensação de uma narrativa sendo contada enquanto cada personagem vai surgindo de um antigo álbum com suas fotografias repletas de mensagens e pistas do que foi vivido há tanto tempo, que não se é possível mensurar. Um tempo escondido no próprio tempo. O vagão que é a principal locação, também é utilizado para evidenciar todas essas camadas e segredos que permeiam cada um deles, sendo recorrente as cenas em que os reflexos das janelas ou espelhos transformam o personagem em 3 ou quatro versões de si.

As atuações são coesas, mesmo as mais comedidas permitem a aproximação que o espectador necessita para se conectar com a história contada, mas sem dúvida, Michelle Pfeiffer habilmente se destaca entre o todo, ela consegue ser muito natural e suas expressões são capazes de prender à atenção do espectador. Não há como não mencionar, que embora numa passagem breve, Johnny Depp oferece uma atuação expressiva, de cara mais limpa, sem ser caricato ou que se assemelhe à outra coisa que não o que está sendo apresentado ali, naquele momento e ao que condiz com o enredo. Daisy Ridley também tem um desempenho interessante, suas falas são carregadas de uma acidez e inteligência pertinentes, enquanto o olhar transborda um pesar de quem ainda revive frequentemente acontecimentos dolorosos.

Kenneth Branagh, teve sucesso na maneira que decidiu dispor e guiar cada peça que concebia o todo. Sua atuação também foi crível e ele acrescentou um tom mais irônico, divertido e até mesmo mais sensível para o personagem, considerando apenas o que Agatha compartilha sobre ele nesta obra, visto que ele é um personagem recorrente de outros romances da autora. E finalizando, ele ainda difunde uma mensagem de menos acusação e mais compreensão, menos racionalidade e mais afeto, pois nem sempre é tudo tão óbvio, objetivo e definido. Há muito mais por trás  daquilo que se pode ver ou identificar, e geralmente é preciso mais que razão para compreender ou decidir algo.