Ben-Hur | Crítica


Para quem não sabe, Ben-Hur é um Rameke do clássico dos anos 50 dirigido por William Wyler, que por sua vez adapta o romance de Lew Wallace Ben-Hur: Um conto de Cristo (1880), dirigido por Timur Bekmambetov (Abraham Lincoln: Vampire Hunter, e roteirizado por Keith R. Clarke e John Ridley.

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Esse é um verdadeiro ícone do cinema que provou o poder de Hollywood em recriar com maestria um grandioso passado com milhares de figurantes e cenários em escalas jamais imagináveis para a época.

O filme conta a história de Judah Ben-Hur (Jack Huston), um jovem nobre de Jerusalém que se opõe às ideias dos romanos. Por suas diferenças políticas, acaba se recusando a informar sobre as pessoas que são consideradas inimigas do estado, é quando, Ben-Hur é falsamente acusado de traição. O Responsável por essa acusação é o seu melhor amigo de infância, o romano Messala (Toby Kebbell), que hoje tem uma elevada posição no exército romano, mas viveu uma vida inteira ao lado da família do seu considerado “ irmão” Judah.

Destituído de seu título, separado de sua família e de Esther, a mulher que ele ama (Nazanin Boniadi), Ben-Hur terá de viver como um escravo. Depois de sobreviver vários anos no mar, retorna para casa. Agora ele decidirá se vingar, e reivindicar o que lhe pertence.

O ator Jack Huston finalmente teve a sua chance de brilhar nas telas do cinema, escolhido para um dos papeis mais icônicos das telonas, é realmente uma pena para ele que faça parte de uma produção tão complicada e mal arquitetada, a sua sorte sem dúvida se transformou em azar.

O inicio do filme parece um tanto interessante, onde acontecem as apresentações, e tudo é esclarecido logo de cara, fica claro para o espectador o tom de todas as relações familiares e íntimas entre Judah e o seu irmão de criação Messala.Ben-Hur-Trailer-2-Shipwrecked
Os irmãos tem sua versão diferente do amor proibido e também enfrentam essa situação de maneiras bastante diferentes. Judah decide continuar vivendo em sua terra enquanto Messala resolve partir para provar e corresponder à realidade do nome da sua família biológica. Os irmão se mostram entre a ideologia e o cruel e sanguinário poder emanado pelo império de Roma.

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A força de Ben-Hur está nesse enlace entre essas duas figuras masculinas, que mergulham num quadro de violência e intolerância sem fim. É a trajetória de Messala e sua busca para atingir seu meio irmão e o retorno de Ben-Hur para finalmente acertar as contas, diante desse tumulto há a figura de Jesus Cristo.

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Interpretado por Rodrigo Santoro, Jesus é recriado como um homem do povo, naturalmente camuflado no meio dos leprosos e de pessoas comuns, com vestimentas simples e usando tons de terra. O Jesus do novo Ben-Hur é um homem comum que traz uma calmaria boa para o ritmo do filme. Mas o personagem não se mostra consistente, e Bekmambetov não acerta o equilíbrio entre as grandes cenas com Cristo e a guerra violenta dos irmãos, em todas às vezes há uma desarmonia entres os núcleos, é difícil acreditar que os sermões de Jesus realmente inspirem o protagonista, que só pensa em vingança.

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Há um destaque para a grande cena da corrida de bigas, as tomadas são cheias de tensão e cenas fortes que impressiona apesar de sabermos a conclusão da disputa.

Mesmo assim o argumento dos roteiristas vai sendo derrubado e piora a cada passagem de tempo. E como se não bastasse, após todo o confronto entre os irmãos, o momento que mostra o arrependimento de Judah é constrangedor e sem valor, não há evolução dramática que justifique a mudança de suas atitudes, e tampouco as de Messala.

Esse é o exemplo de um filme que cambaleia nas suas próprias ambições. É uma pena, mas é lamentável ver a tendência dos remakes desses grandes clássicos.

Data de lançamento: 18 de agosto de 2016 (2h 03min)
Direção: Timur Bekmambetov
Elenco: Jack Huston, Morgan Freeman, Toby Kebbell mais
Gêneros: Épico, Ação, Aventura
Nacionalidade: Eua

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