The Breakdown

Título Original: Bio - Construindo uma Vida Lançamento: 04 de abril Direção e Roteiro: Carlos Gerbase Gênero: Drama Elenco: Marco Ricca, Maitê Proença, Maria Fernanda Cândido, Werner Schünemann, Rosanne Mulholland, Tainá Müller, Sheron Menezzes, Branca Messina, Bruno Torres, Zé Victor Castiel, Felipe Kannenberg, Carla Cassapo, Felipe de Paula, Gabriela Poester, Mateus Almada, Carla Cassapo, Artur Pinto, Roberto Oliveira, Mateus Almada, Luísa Horta, Lívia Perrone, Nadya Mendes, Milena Dalla Corte, Marco Ricca, Léo Ferlauto, Branca Messina, Enzo Petry, João Pedro Alves, Júlia Bach, Thainá Gallo, Gabriela Poester, Julio Conte, Girley Brasil Paes, Werner Schünemann, Felipe de Paula, Luiza Ollé, Elisa Heidrich, Carlos Cunha Filho, Felipe Kannenberg, Deborah Finocchiaro, Nadinne Oliveira, Fredericco Restori, Luciano Mallmann, Giulia Goes, Guilherme Cury, Zé Victor Castiel, Fernanda Carvalho Leite, Charlie Severo Nacionalidade: Brasil
6.0
Pros
Duração,
Cons
Atuações.

Zafón disse e eu vivo repetindo por aí e por aqui: “Nós existimos enquanto alguém se lembra de nós.”

Um protagonista sem rosto, que desde o nascimento tem a sua imagem, a sua personalidade expressa e construída a partir do olhar daqueles com quem ele convive. Sim, essa frase define perfeitamente. A nossa existência está condicionada à nossa percepção pelo outro, como ele nos enxerga, nos sente, nos recorda e nos compartilha através de suas lembranças e falas. 

O menino, o filho, o irmão, o bebê, o coleguinha de escola, o aluno, o amigo, o namorado, o profissional, o marido, o amante, um ser que parece não existir – embora exista – além daquelas palavras proferidas, algumas com receio, carinho, suspeita, desprezo, empatia, admiração, curiosidade, entre tantas outras sensações que permeiam essas falas e a progressão dessa trajetória.

Bio – Construindo uma Vida, do cineasta Carlos Gerbase, fez sua estreia em circuito nacional ontem (04 de abril), e se propõe a capturar os espectadores com uma narrativa rica em personagens e acontecimentos, usando em sua ficção recursos de um filme documental, a partir da condução e desenvolvimento da história com depoimentos dos envolvidos, na sequência desses acontecimentos, ainda que seu protagonista não ganhe rosto, corpo ou fala, a não ser através daqueles que o relatam.

O argumento de que esses depoimentos foram colhidos no momento seguinte aos acontecimentos, ou seja, essas pessoas ainda estavam envoltas naquela energia, portanto diferente de um documentário “tradicional”, onde tudo é relatado com o distanciamento de anos e muitas memórias depois, não me convenceu tanto, afinal, não ver o protagonista, não ter a sua versão dos fatos, me causou a impressão de sua não existência mais ali, naquele momento. 

De todo modo, Gerbasse e sua equipe tiveram êxito em construir uma história muito particular e interessante, que mescla não somente o processo evolutivo de um homem – ao longo dos 110 anos de sua existência – em específico ou de sua espécie, como também do mundo como o conhecemos, a diversidade de pensamentos e culturas, e os anseios que geram movimento e transformação.

É fantástico imaginar como seria passar por isso, poder ter minha vida capturada frame a frame, ouvir a versão dos fatos pela perspectiva alheia, hora mocinha, hora vilã, hora inspiração, hora desconhecido.

E você, o que gostaria de ver seu na tela?

Bio, a obra, é um grande e maravilhoso quebra-cabeças, não apenas no sentido do volume e  multiplicidade de suas peças, que conseguem montar um quadro amplo e generoso de seu objeto de interesse, o homem, aquele homem, como também por nos suscitar curiosidade, questionamentos e reflexões a despeito deles, das partes que faltam, e de nós, de quem seríamos em nossa própria história, caso capturada e divulgada conforme a daquele personagem.

Então, se acomode na poltrona e viaje nessa história que pode e com certeza traz elementos da sua, da minha e de tantos outros seres por aí, “reais” ou “ficcionais”.