Blade Runner 2049 | Crítica


[yasr_overall_rating size=”medium”]Trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, a humanidade está novamente ameaçada, e dessa vez o perigo pode ser ainda maior. Isso porque o novato oficial K (Ryan Gosling), desenterrou um terrível segredo que tem o potencial de mergulhar a sociedade no completo caos. A descoberta acaba levando-o a uma busca frenética por Rick Deckard (Harrison Ford), desaparecido há 30 anos.

Com roteiro de Michael Green e Hampton Fancher, baseado na obra de Philip K. Dick. É uma trama mais complexa e às vezes confusa, diferente do seu antecessor. É necessário um pouco de paciência, dar tempo a história para que, ela nos mostre onde quer chegar. Felizmente somos surpreendidos com algumas reviravoltas bem interessantes que enriquecem a história, ajudando a expandir o universo que já conhecemos no primeiro filme. Sem dúvida este também é mais melancólico e pessimista. E podemos perceber, que todas as questões que vemos no primeiro filme estão lá, um pouco mais aprofundado, e de certa forma em uma nova perspectiva.

Denis Villeneuve, dirige esse filme como uma criança, que admira um brinquedo que sempre quis. Isso transparece diretamente na sua direção. Ela é contemplativa, calma cadenciada, o que pode prejudicar um pouco, pois seu ritmo provavelmente não vai agradar o público. Isso também acontece com seu antecessor, contudo aqui esse recurso é maior (refletindo no tempo de projeção, 2 horas e 40 minutos). Ele vai nos revelando aos poucos, de forma muito sutil o que está acontecendo, Contudo é recorrente algumas explicações excessiva em alguns pontos.

Os pontos altos da produção são o Design que respeita e valoriza o que já conhecemos, nos fazendo sentir que estamos revisitando aquela realidade. O som e a trilha sonora, que sabe como incomodar, deixando claro que aquele mundo não é um lugar agradável de se viver.  E a cereja do bolo é a fotografia: lúgubre, esfumada, sem vida na maior parte do tempo. Passa a sensação de desespero, isolamento. É um espetáculo visual impressionante.  A composição dos três, nos leva uma imersão total em retorno ao Cyber Punk.

Quanto às atuações, Ryan Gosling, mostra toda sua versatilidade, em seu personagem, ‘oficial K (será uma referência ao Josef K de Kafka?) é um personagem que representa outro personagem. É uma atuação contida, de poucas expressões gestos simples, contudo quando necessário ele transita por outras emoções com eficiência, mostrando a complexidade do personagem.  Harrison Ford, revive seu Deckard em outro patamar, mais velho, não só na aparência, mas também no seu modo de pensar. E ele deixa claro todas as dificuldades que já viveu.

Jared Leto, sempre muito intenso e se sai muito bem como um excêntrico capaz de tudo para chegar ao seu objetivo. Sylvia Hoeks representando a replicante Luv, bonita, elegante, mas com uma fisicalidade incrível quando entra em ação. Robin Wright,sempre competente, apesar de aparecer pouco deixa sua marca.

Blade Runner 2049 é um filme contemplativo, que requer paciência e atenção. E para aqueles que, assim como nos gostamos do primeiro filme, vão curtir muito essa nova perspectiva.

Data de lançamento: 5 de outubro de 2017 (Brasil)
Direção: Denis Villeneuve
Cinematografia: Roger Deakins
Música composta por: Jóhann Jóhannsson, Hans Zimmer, Benjamin Wallfisch
Roteiro: Hampton Fancher, Michael Green
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