Boa noite mamãe | Crítica


Se você acha que estava faltando lançar nos últimos tempos um thriller psicológico e maquiavélico, que te faria fechar os olhos nas cenas mais intrigantes, não falta mais.

Boa noite, mamãe” é um drama familiar horripilante, inquieto, que respira pânico, confusão e conflitos de identidade, que resultam em uma grande sequencia de tortura.

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No filme uma família mora em uma grande casa localizada em uma região isolada em meio a natureza e enormes plantações de milho. Depois de um tempo afastada por conta de cirurgias plásticas, a mãe (Susanne Wuest) regressa para casa e não é reconhecida por seus filhos gêmeos (Lukas e Elias), interpretados pelos atores Lukas Schwarz e Elias Schwarz. Eles tem 9 anos e não acreditam que a mulher que voltou com o rosto coberto seja sua mãe, a partir de então nada será como antes.

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O filme brinca com um visual diferenciado, mas faz com que a maioria dos cantos da luxuosa casa, onde os eventos acontecem não renunciem a uma violência explícita, no entanto, nunca gratuita.  As fronteiras entre vítimas ou os agressores são indefinidas e estendidas ao longo de uma narrativa com um pulso que horas aperta o coração, horas nos deixam dúvidas talvez propositais.

Em uma receita perigosa mas despretensiosa, o roteiro de Veronika Franz  parece ter sido escrito para te deixar totalmente confuso/desconfiado. Pecando em alguns momentos chega a nos revelar sem querer, talvez um dos que deve ser o maior segredo da história e que seria imprescindível descobrirmos somente no final.

Esse é um longa perturbador, que nos aprisiona em um lento conto de horror doméstico muito silencioso. Mas tanto silencio em alguns momentos nos traz a sensação de tédio, só não sei se há uma intenção para que sintamos o que os personagens também estão sentindo. Assim ‘Boa noite, mamãe’ nos leva a uma casa onde os gatinhos não são bem-vindos, um lugar onde dormir é difícil, e onde os jogos mais populares são aqueles que terminam em crueldade.

Muitas cenas são jogadas para que prevejamos um desfecho fake em nossa mente, parece um diferencial, mas sinceramente não achei essa uma boa decisão, muitas das minhas impressões sobre isso é de que algo se perdera no roteiro, na edição e na direção.

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Esse não é um filme que utiliza do medo para assustar, nem me parece ser mesmo o objetivo. A maior impressão que ele deixa é de querer despertar total repulsa com o seu extremo realismo e eles conseguiram fazer isso muito bem, graças as grandes interpretações do trio de protagonistas, especialmente dos irmãos. No entanto, é um filme que tem um roteiro fraquíssimo, utilizando a todo tempo cenas de suspense que não funcionam, não levam o público a lugar algum. É tudo muito raso e previsível. Você não tem medo, mão se sente tocado pelas cenas violentas e torturantes, que acontecem entre mãe e filho.

A fotografia recria os tons lisos escuros e monótonos, e a trilha sonora não poupa o uso de canções de ninar sombrias. Todos esses recursos contribuem para alcançar um fluxo na narrativa.

Por fim “Boa noite, mamãe” é um filme com grande potencial para ser odiado e adorado ao mesmo tempo, seus “erros” podem ter sido criados intencionalmente para atingir algo que o meu repertório amador não alcançou, mas se você deseja perder (ou ganhar) seu tempo com um filme com cenas fortes que lhe façam franzir a testa, esse é o filme pra isso.

Elenco:Susanne Wuest – Mãe, Lukas Schwarz – Lukas, Elias Schwarz – Elias
Direção: Severin Fiala e Veronika Franz
Gênero: Terror
Duração: 99 min.
Distribuidora: Playarte Pictures
Orçamento: R$ 2 milhões
Estreia:  25 de Fevereiro de 2016

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