Border | Crítica


Nota:

Data de lançamento 11 de abril de 2019 (1h 50min) Direção: Ali Abbasi Elenco: Eva Melander, Eero Milonoff, Jörgen Thorsson, Viktor Åkerblom, Josefin Neldén mais Gêneros Drama, Fantasia Nacionalidades Suécia, Dinamarca
9.0

Tina (Eva Melander) é uma fiscal que trabalha no porto fiscalizando bagagens e passageiros. Ela desenvolveu uma espécie de sexto sentido, fazendo com que seja capaz de saber as emoções através do cheiro. Isso sempre representou uma vantagem na sua profissão, mas tudo muda quando ela identifica um pedófilo em potencial e não consegue achar provas. Após o episódio, ela passa a ajudar a polícia na investigação, ao mesmo tempo em que fica atraída por Vore  (Eero Milonoff), que parece estar numa condição muito parecida com a sua.

Com roteiro de Ali Abbasi e Isabella Eklöf, fica claro desde o início que a dupla optou por abordagem surreal a história que contam. E esse é o fator mais importante, prende o audiência por ser estranho, mas no seu âmago ele discute muitas coisas corriqueiras. Aceitação, conformidade, moral, bondade, racismo, discriminação, amor, desilusão… . Tantos assuntos tratados em muitos outros filmes, aqui ganham  um elemento estranho, que intriga desperta a curiosidade ao mesmo tempo que cria um grande estranhamento. É uma história delicada e ao mesmo tempo bruta, de amor e decepção, tudo bem dosado. Os elementos diferentes são apresentados aos poucos e vamos nos acostumando com essa realidade e a medida que a história avança outros elementos entram. Assim ele consegue dar um sentido e despertar uma emoção genuína nos espectadores. Seu ponto alto é o final. Um fechamento perfeito para uma história assim, é bonito, tocante e grotesco.

A direção fica a cargo também de Ali Abbasi, e ele mostra que sabe conduzir a história. Na mão de algum diretor que não tenha sensibilidade ela seria um fracasso. Ele sabe conduzir as situações de um modo que o grotesco não agrida os espectadores. Elogio especial a fotografia, essa é um show a parte e também a maquiagem. Tão bem feita que acreditamos que a Tina e o Vore nasceram daquele jeito (há cenas no lago e em baixo de água e maquiagem se mantém).

Destaque no elenco para Eva Melander, que encara a difícil missão de representar com uma pesada maquiagem, e consegue passar tudo que a personagem sente. Tina é transparente, e todos os seus maneirismos e pequenas expressões deixa clara suas emoções. Uma personagem doce e desiludida mas nela nasce a esperança de mudança a partir do contato com alguém parecido com ela. Do mesmo modo Eero Milonoff consegue passar as mesmas emoções nos seus gestos (o modo como inclina a cabeça como um cachorro é bem característico), só que ao contrário de Tina, ele é machucado pela vida, não se adequando a sociedade vive num limbo quase amoral.

Border explora muitos sentimentos, propõe muitas discussões, algumas bem pesadas, de modo grotesco e, curiosamente, leve ao mesmo tempo. Chega a ser um filme bonito. Sem dúvidas não vai agradar ao grande público, principalmente pelo modo como conduz a narrativa.