The Breakdown

Data de Lançamento: 22 de dezembro de 2017 Direção: David Ayer Elenco: Will Smith, Joel Edgerton, Lucy Fry, Noomi Rapace Gêneros: Fantasia/Suspense/Ação Nacionalidade: EUA Duração: 118 min
6.0

Em 9 de agosto de 2014, Michael Brown, um adolescente negro de 18 anos, recém-formado no ensino médio e um músico amador que hospedava as músicas que produzia em sua conta no Soundcloud, foi morto a tiros pelo policial Darren Wilson. Brown era suspeito de ter assaltado uma loja de conveniência, supostamente tendo roubado um pacote de cigarros e agredido fisicamente o operador de caixa da loja. A descrição do suspeito, quando o crime foi reportado, era de que ele usava um boné do time de beisebol St. Louis Cardinals, camiseta branca, meias amarelas e shorts cáqui, além de estar acompanhado de outro homem. Alguns minutos depois, o oficial Wilson teve seu encontro com Brown, que estava acompanhado de seu amigo, Dorian Johnson, há algumas quadras da loja de conveniência assaltada.

Acreditando se tratar do suspeito, Wilson, ainda dentro do seu carro, entrou em confronto com Brown e o amigo, até que sua arma disparou duas vezes, atingindo o adolescente no braço. Brown e Johnson, então, fugiram e se esconderam. Wilson saiu do carro e perseguiu os garotos, encontrando-os algum tempo depois, quando o adolescente, desarmado e sem antecedentes criminais, foi morto na rua com seis tiros disparados pelo policial.

A morte de Brown deu impulso ao movimento “Black Lives Matter”, que havia sido fundado no ano anterior por Alicia Garza, diretora da National Domestic Workers Alliance (Aliança Nacional de Trabalhadoras Domésticas); Patrisse Cullors, diretora da Coalition to End Sheriff Violence in Los Angeles (Coligação Contra a Violência Policial em Los Angeles; e Opal Tometi, uma ativista pelos direitos dos imigrantes, em decorrência da absolvição de George Zimmerman pelo assassinato infundado de Trayvon Martin, um jovem negro de 17 anos, em fevereiro de 2012. O movimento agora advoga contra a violência policial e por melhorias sociais à comunidade negra nos Estados Unidos.

“Bright” (Foto: Divulgação/Netflix)

Pode parecer estranho para quem acompanhou a divulgação de Bright (dir. David Ayer, 2017), que estreou na última sexta-feira, 22, na Netflix, começar a ler essa crítica e se deparar com um caso de má conduta policial e uma breve introdução ao movimento Black Lives Matter, mas a verdade é que isso tem tudo a ver com o novo longa original da plataforma de streaming.

A história se passa em um mundo contemporâneo onde humanos convivem livremente com Fadas, Elfos, Orcs e outras espécies. Leilah (Noomi Rapace, Onde Está Segunda?), uma elfa renegada, raça também conhecida pelo nome de Inferni, está em busca de sua Varinha Mágica para que possa trazer de volta o Senhor das Trevas e instaurar uma nova ordem na sociedade. No entanto, a Varinha de Leilah, capaz de conceder qualquer desejo a qualquer um que a possua, foi roubada por Tikka (Lucy Fry, 11.22.63), uma Inferni traidora que quer impedir a volta do Senhor das Trevas. Ao atender um chamado, os policiais Daryl Ward (Will Smith, Beleza Oculta), um humano, e Nick Jakoby (Joel Edgerton, Ao Cair da Noite), um Orc, acabam se deparando com Tikka e um rastro de destruição provocado pela Varinha Mágica. A partir desse momento, cabe aos policiais e à elfa renegada protegerem a Varinha e impedirem que tão poderosa arma caia nas mãos erradas.

Joel Edgerton, Lucy Fry e Will Smith em cena de “Bright” (Foto: Divulgação/Netflix)

A trama fantasiosa, porém, tem pouca força sozinha e é até bastante previsível. Aos olhos mais atentos, o destaque fica mesmo na abordagem sobre o racismo que o filme faz, além de também discutir corrupção e violência policial e disputa de classes.

Nessa sociedade imaginada, ser negro não é problema algum. O protagonista, Ward, não sofre com as mazelas de ser negro, como ocorre nos EUA e em tantos outros lugares, mesmo que tentem negar que o racismo esteja embrenhado na sociedade. O “problema” aqui são os Orcs e quem sofre mais é o co-protagonista, Jakoby, um traidor de sua raça, que conseguiu deixar a marginalização sofrida pelos Orcs e se juntou à polícia para combater o crime, deixando-o mal visto na sua comunidade por ter se tornado o “inimigo”. A questão é que os Orcs são mal vistos por sua devoção, no passado, ao Senhor das Trevas e a marca é carregada até hoje. Eles são a base da sociedade e não têm oportunidade de ascender, sendo mantidos nessa posição, aguentando as agruras e o preconceito.

O filme trata essas questões e isso fica claro logo no início, quando Ward, ao matar uma Fada, diz que “as vidas das Fadas não importam atualmente” (“Fairy lives don’t matter today”), em uma clara referência ao lema “Black Lives Matter”, ao que um de seus vizinhos responde pedindo para que Ward acabe com a Fada no “estilo policial”. Esse “estilo” também faz referência à violência policial em relação aos negros nos EUA e o grande número de assassinatos de jovens negros no país, em situações adversas, o que é explicitado em outro momento, quando Jakoby ajuda um jovem Orc que estava pichando uma parede a fugir, alegando que, caso a polícia o encontrasse, não faria perguntas e o Orc acabaria morto sem grandes motivos.

Noomi Rapace é Leilah em “Bright” (Foto: Divulgação/Netflix)

Isso toma toda a primeira parte do filme, até que os protagonistas encontram Tikka em posse da Varinha Mágica. Nesse momento, a ação toma conta do filme, quando todos começam a lutar pela arma, cada um com seus próprios desejos. E é justamente quando o filme perde a sua força, tornando-se mais um show para os olhos do que um exercício para a mente. A sociedade construída e as tramas que ela oferece acabam sendo bem mais interessantes e bem trabalhadas, no curto espaço de tempo que tem, do que a corrida pela poderosa arma mágica.

Bright é mais uma parceria entre o diretor David Ayer e Will Smith, após o fracasso de Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016), dirigido por Ayer e com Smith na pele do Pistoleiro, líder da equipe. De lá para cá, a atuação de Smith não evoluiu muito: Daryl Ward é como o Pistoleiro, mas sem o disfarce. Durão, mas mole quando o assunto é família. Já Joel Edgerton acaba trazendo um personagem mais interessante ao interpretar um Orc mal-encarado, mas completamente diferente dos outros de sua raça: justo, grato, às vezes meio inocente e, até mesmo, fofo. É como a Fera (Dan Stevens, Downton Abbey), em A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, dir. Bill Condon, 2017), que falha em intimidar.

Will Smith é Daryl Ward em “Bright” (Foto: Divulgação/Netflix)

A trilha sonora do filme, assim como em Esquadrão Suicida, é um show a parte, com a colaboração de artistas como Bastille, Camila Cabello, Rag’n’Bone Man, Ty Dolla $ign, Steve Aoki, Machine Gun Kelly, alt-J, Meek Mill, A$AP Rocky, Future e muitos outros. Porém, felizmente, nesse caso, ela acaba não sendo a melhor coisa de Bright. A história tem bastante potencial, apesar de se perder um pouco em si mesma. Faltou traçar um caminho mais concreto, mas não deixa de ser um bom entretenimento. Se a sequência, anunciada pelo site Bloomberg, for confirmada, os produtores têm uma nova chance de dar a esse universo uma nova e melhor história, homogenizando melhor a crítica social e a magia, se a proposta se mantiver.

De toda forma, Bright ainda pode começar o ano com um Oscar. O longa está na lista de pré-indicados a “Melhor Maquiagem”, assim como Esquadrão Suicida, que levou o prêmio esse ano desbancando filmes como Um Homem Chamado Ove (En man som heter Ove, dir. Hannes Holm, 2015) e Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek: Beyond, dir. Justin Lin, 2016). Amado ou odiado, ao menos o filme traz isso no currículo. Bright pode seguir no mesmo caminho.

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1 Comment

  1. GABRIELA PINHEIRO
    27 de dezembro de 2017
    Responder

    Vou assistir hihi

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