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Direção: David Yarovesky Elenco: Elizabeth Banks, David Denman, Jackson Dunn Quando uma criança alienígena cai no terreno de um casal da parte rural dos Estados Unidos, eles decidem criar o menino como seu filho. Porém, ao começar a descobrir seus poderes, ao invés de se tornar um herói para a humanidade, ele passa a aterrorizar a pequena cidade onde vive, se tornando uma força obscura na Terra.
8.0

E se os representantes do heroísmo na ficção originários de lugares longínquos do espaço, como Superman, em vez de se tornarem os justiceiros que já conhecemos, tomassem um caminho completamente diferente? Esta é a singular premissa de Brightburn, um filme de “super-herói” atípico que poderia marcar um novo padrão para futuras entregas de gênero, buscando diferentes abordagens e recursos dentro desta narrativa e temática super explorada.

O filme segue a família de Tori ( Elizabeth Banks ) e Kyle Breyer ( David Denman ), duas pessoas de ótima índole que, incapazes de conceber uma criança biologicamente, decidem adotar o pequeno Brandon, um ser de outro planeta com incríveis habilidades muito semelhantes às do Homem de Aço da DC Comics. No entanto, Brandon não descobre seus poderes até a adolescência, e é aí que as coisas começam a ficar realmente feias.

Enquanto o Filho de Krypton decidiu oferecer os seus presentes para a humanidade, Brandon é um ser muito mais complicado e obscuro, porque parece que carrega o sangue de um conquistador alienígena em suas veias. Apesar de ser enquadrado no gênero de super-heróis, Brightburn é uma história completamente original, de modo que seus criadores têm tomado todas as licenças possíveis, tornando este filme de origem numa espécie de terror sangrento.

Embora o filme produzido por James Gunn repita caminhos narrativos parecidos com obras já vistas, a fusão entre gêneros torna a experiência muito mais divertida, e nos mantém atentos para acompanhar o que acontecerá em cada cena.

O diretor David Yarovesky não se limita à brutalidade dos assassinatos cometidos por Brandon, que além de se sentir um ser superior, aproveita cada ato de crueldade como se fosse um delicioso aperitivo. A evolução do protagonista é uma jornada violenta e sombria, que nos mostra porque nem sempre um grande poder leva a uma grande responsabilidade. O trabalho feito em Brightburn demonstra mais uma vez que o filme de super-heróis e vilões, não necessariamente tem que seguir uma fórmula estabelecida para desfrutar do apoio do público e da crítica. Obviamente, se você for ver o filme esperando um banquete de efeitos especiais, referências a algum universo particular, e tudo o que nos habituou a Marvel, preciso pedir para você diminuir as suas expectativas.

O longa pode ser considerado uma pequena produção, cujo orçamento não excedeu 7 milhões, mais perto do que foi feito por M. Night Shyamalan em vidro, onde apesar dos super poderes serem parte importante do desenvolvimento do enredo e os personagens, o verdadeiro encanto não está na superfície, mas nas similaridades que podemos encontrar com a nossa realidade. Poderíamos também compará-lo com o trabalho de Mathew Vaugh em Kick Ass, mas eles só teriam violência explícita em comum.

Brightburn é mais como um conto de terror fantástico, apelando para suspense e intriga e não tanto para o uso e abuso de efeitos gerados por computador. Um filme interessante, diferente e atraente, não adequado para espectadores com um estômago sensível. Certamente vale a pena vê-lo se você se considera um verdadeiro fã do gênero, ou se quer ver uma história aparentemente tirada dos quadrinhos sem a necessidade de uma overdose de informações sobre isso.