Capitão Fantástico | Crítica


Cheio de rituais de passagem, com um pai que assume frequentemente uma postura completamente didática, somos apresentados a família Ben (Viggo Mortesen), um homem que junto à sua esposa decidiu abandonar a vida na civilização para viver isolado do mundo e intensamente conectado à natureza.

Pais de seis filhos e com uma visão extremamente crítica, eles optam por oferecer uma formação que esteja em consenso com o que acreditam e buscam para si. Entretanto o falecimento da esposa de Ben o obriga a apresentar a sociedade aos filhos, que como não poderia deixar de ser passam pelo choque de realidades tão distintas, uma vez que são tão capazes intelectual e fisicamente – afinal desde bem pequenos são leitores vorazes e praticam diversas atividades físicas como escalada, artes marciais, autodefesa e meditação, sempre orientados pelos pais – de lidar com o ambiente selvagem, entretanto se tornam presas fáceis diante do homem do progresso capitalista.

Capitão Fantástico

Esse novo cenário traz a tona conflitos que começaram a eclodir após a mãe ir para a cidade e se “render” à um tipo de tratamento ao qual pregava como incorreto, colocando por terra tudo o que eles defendiam e acreditavam até o momento.

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Evocando em muitos aspectos Na Natureza Selvagem” (Into The Wild) com o radicalismo extremo de seu protagonista Alexander Supertramp (vivido por Emile Hirsch) ao abandonar tudo, até mesmo a sua própria identidade em busca de um propósito, suas belezas naturais muito bem valorizadas por uma fotografia impecável, o ônibus (Steve) e uma trilha sonora quase tão marcante quanto – difícil uma trilha inteiramente composta tão perfeitamente como foi a do Eddie Vedder, no caso de Into The Wild –  “Capitão Fantástico” é sem dúvida um filme que vale a pena assistir.

Capitão Fantástico
Com uma atuação impressionante de Viggo, é uma história que desperta muitos questionamentos e sensações. As crianças e adolescentes escolhidos para viverem seus filhos trazem uma leveza e humor interessantes – as duas pequenas são umas graças – , especialmente por apresentarem um discurso tão semelhante ao pai – e sim, em alguns momentos  podem transparecer uma certa artificialidade, como que só estivessem repetindo o que ouvem, entretanto também agrega veracidade, já que é compreensível que isto ocorra, afinal essas são as referências que eles possuem e o que internalizaram até o momento.

Essa dualidade do “se eles realmente acreditam no que estão vivendo, se é uma escolha que fariam em outras circunstâncias ou se é apenas a pressão desse pai que até então é o único referencial que têm” é benéfica ao desenrolar da história, demonstra que de fato nenhum extremismo é saudável.

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Dito isso, também devemos nos atentar para o entrosamento entre eles, sobretudo nas cenas em que cantam, tocam e se divertem juntos, nos agraciando com uma versão linda e doce – a gaita concede um tom vivaz muito gostoso de se ouvir – de “Sweet Child O’Mine”, que logicamente eu deixo o vídeo abaixo para vocês. E se aceitam uma dica, leiam o texto ouvindo-a.

Título Original: Captain Fantastic

Lançamento: 22 de dezembro

Direção: Matt Ross

Roteiro: Matt Ross

Elenco: Viggo Mortensen, Frank Langella, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Ann Dows, Erin Moriarty, Missi Pyle, Karhryn Hahn e Steve Zahn

Gênero: Drama

Nacionalidade: EUA

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