Crítica | O Filme da Minha Vida


Confesso que não sou fã do cinema nacional, e não assisti aos longas anteriores de Selton Mello como diretor, Feliz Natal (2008) e o Palhaço (2011), mas resolvi dar uma chance e deixar de lado esta “birra” que tenho com as produções brasileiras, vai que né? Porém sem criar muitas expectativas.

Com direção do próprio Mello, o filme é uma adaptação do livro “Um Pai de Cinema” do chileno Antonio Skármeta, que ainda faz uma pequena participação no filme, que se ambienta nas serras gaúchas dos anos 60. O Filme da Minha Vida narra à volta do jovem recém-formado, professor, Tony (Johnny Massaro) a sua cidade natal. Ao chegar, descobre que o seu pai (Vincent Cassel) voltou para a França, sem explicações, deixando para trás ele e a mãe (Ondina Clais).

Neste novo cenário, Tony, tenta conciliar o abandono e a saudade que sente do pai, com as inseguranças e descobertas da vida adulta. E ele encontra duas belas distrações, as irmãs Luna (Bruna Linzmeyer) e Petra (Beatriz Arantes), que o encantam de maneiras distintas e opostas.

Apesar da narrativa dramática, o clima nostálgico e bucólico é marcante, atrelado à fotografia impecável (Walter Carvalho) e a trilha sonora de época, você é facilmente remetido aos anos 60. Assim como o figurino e a maquiagem vintage compõem a atmosfera e atuam em conjunto, e o resultado é visualmente bonito.  

Porém, algo desafina, e você sente uma falha no roteiro, ele se arrasta, é lento e demora de entrar no conflito principal. Isso acontece em grande parte dos filmes oriundos de adaptações de livros, a transição dos fatos precisa ocorrer no tempo certo, qualquer desequilíbrio compromete o resultado final. Fato semelhante acontece na adaptação do livro a Cabana (2017), o sucesso do livro não chegou nem perto de ser retratado no filme.

Além da vagareza no desenrolar da trama, ‘O Filme da Minha Vida’ ainda conta com atuações mornas, não existe faísca entre Tony e Luna, e até quando o jovem reencontra o seu pai, o qual ansiava por respostas e sufocava na saudade, não há explosão, é tudo muito calmo. Algumas tiradas de humor tentam salvar o longa, quando um dos alunos de Tony, encasqueta que quer perder a virgindade em uma zona (brega).

Acredito que não foi desta vez que fui surpreendida por uma produção nacional, e confesso novamente, que a atuação (pouca) de Selton Mello, estava diferente, mais madura e segura, há um inegável crescimento do ator, como ator. E ao contrário da citação de abertura, o pedaço mais importante do filme (assim como da vida), é o meio, afinal, ele determina aonde iremos chegar.

  

Elenco: Selton Mello, Vincent Cassel, Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer, Rolando Boldrin, Ondina Clais, Beatriz Arantes, João Prates, Erika Januza, Martha Nowill e Antonio Skármeta (participação especial).

Direção: Selton Mello.

Roteiro: Selton Mello.

Gênero: Drama

Duração: 1h53 min.

Estreia: 3 de Agosto.

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