Crítica | Vidro


The Breakdown

Data de lançamento: 17 de janeiro de 2019 Direção: M. Night Shyamalan Elenco: Samuel L. Jackson, James McAvoy, Bruce Willis, Anya Taylor-Joy e mais Gêneros: Suspense, Fantasia Nacionalidade: EUA Duração: 130 min
7.0

Há dezenove anos, a mente por trás do brilhante suspense O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), estrelado por Haley Joel Osment e Bruce Willis, nos apresentou ao único sobrevivente de um descarrilamento de trem que matou quase duzentas pessoas. Em Corpo Fechado (Unbreakable, dir. M. Night Shyamalan), David Dunn (Willis, repetindo a parceria com o diretor), um segurança de estádio de futebol, sobrevivia ao acidente sem um único arranhão, o que chamava a atenção de Elijah Price (Samuel L. Jackson), um aficionado por histórias em quadrinhos de super-heróis com uma doença que deixa seus ossos tão frágeis e quebráveis quanto vidro, o que rende a ele o apelido de “Senhor Vidro”.

Com a ajuda do seu filho, Joseph (Spencer Treat Clark), e um incentivo quase maníaco de Price, Dunn começa a se entender e a explorar as possibilidades do seu corpo, caminhando para se tornar uma espécie de super-herói justiceiro. Além da superforça e a impossibilidade de ficar doente ou quebrar qualquer parte do seu corpo, o segurança tinha a habilidade de ver as verdades sobre as pessoas ao tocá-las. Através desse dom, ao final do filme, Dunn descobre que o descarrilamento do trem não foi um acidente e Price é o responsável, o que faz com que o Senhor Vidro seja encarcerado em uma instituição psiquiátrica.

Bruce Willis e Samuel L. Jackson em “Corpo Fechado” (Unbreakable)

Mais de quinze anos depois, Shyamalan nos apresentou um outro tipo de “super-herói”: em Fragmentado (Split, 2016), Kevin é um homem com 23 diferentes personalidades vivendo em seu corpo. No ápice de sua esquizofrenia, ele ainda incorpora uma 24ª personalidade, totalmente diferente das demais, batizada de A Fera. Para alimentá-la, Kevin sequestra Casey Cooke (Anya Taylor-Joy) e duas de suas amigas com o intuito de oferecê-las ao monstro.

Com certa consciência e empatia, A Fera não sacrifica Casey e a deixa ir embora, enquanto foge das autoridades que pretendem detê-la. Na cena final do longa, temos o retorno de Dunn, que aparece em um bar assistindo a notícias sobre a fuga d’A Fera. É nesse momento que o caminho para a trilogia, que agora se encerra com Vidro (Glass, 2019), é pavimentado.

Em “Fragmentado” (Split), James McAvoy é Kevin, um homem com 23 personalidades que sequestra jovens garotas para sacrificar à Fera, uma identidade sobrenatural

No novo longa, Dunn a assumiu a identidade de O Vigilante como seu alterego e está atrás d’A Fera, que continua a fazer novas vítimas. Em seu primeiro embate, no entanto, ambos acabam presos na mesma instituição psiquiátrica que Senhor Vidro e, lá, eles começam a ser tratados pela Dra. Ellie Staple (Sarah Paulson), que tenta convencê-los a todo custo de que nenhum deles têm habilidades especiais e que todos os acontecimentos sobrenaturais que viveram têm uma explicação plausível. A partir desse momento, o Senhor Vidro toma a frente e tenta, a todos os custos, provar para a doutora – e o mundo – que ela está errada.

Ao contrário de seus antecessores, que tinham a vantagem de contar com ineditismo de suas respectivas histórias, Vidro tem de atender às expectativas de dois grupos de fãs de filmes que não, necessariamente, se relacionam. O desafio, portanto, é muito maior. Dá-se melhor com a conclusão da trilogia quem não se apressa em tirar conclusões. O caso é de esperar todas as informações e, então, dar um veredito sobre a história.

Os três personagens se encontram em “Vidro” (Glass) para encerrar a trilogia

Com um ritmo mais lento que os demais, o filme pode não se igualar no suspense ou na empolgação que seus antecessores traziam, mas não deixa de impressionar, seja pelas cenas de luta entre O Vigilante e A Fera, que são constantemente manipulados pelo Senhor Vidro para se enfrentarem e deixarem os seus poderes serem conhecidos por todo o mundo; pela atuação fora do normal de James McAvoy, que dessa vez vaga por todas as suas personalidades em mudanças muito mais rápidas do que em Fragmentado, deixando o espectador de boca aberta; ou a genialidade de Shyamalan que, por um momento, deixa todo mundo temeroso pela possibilidade de estragar dois filmes incríveis com um desfecho desnecessário e sem sentido, só para depois virar tudo de ponta-cabeça e finalizar a história d’O Vigilante, A Fera e Senhor Vidro de forma satisfatória. O final ainda deixa aberta a possibilidade de novos filmes serem feitos no mesmo universo, apesar de Shyamalan negar que isso esteja nos planos.

Vidro estreou no último dia 17 de janeiro e, em seu primeiro final de semana, já cobriu os custos de produção de 23 milhões de dólares com uma bilheteria de abertura de 40,6 milhões de dólares, em três dias, nos cinemas norte-americanos. Spencer Treat Clark, Anya Taylor-Joy e Charlayne Woodard, a mãe do Senhor Vidro, também retornam para reprisar os seus papéis no longa.

Confira o trailer legendado: