Nota:

Título Original: Daphne Lançamento: 08 de março Direção: Peter Mackie Burns Roteiro: Nico Mensinga Gênero: Comédia dramática Elenco: Emily Beecham, Geraldine James como Rita, Tom Vaughan-Lawlor Nathaniel Martello-White Nacionalidade: Reino Unido
7.0
Pros
Roteiro, atuações.
Cons
-

Reconhecer-se, absorver e redesenvolver-se perante e devido às transformações nunca é um processo fácil. E nessa dinâmica chamada viver, subestimamos o poder e influência de eventos considerados aleatórios, seguimos negando o que sentimos e ignorando o que está diante de nossos olhos, ainda que o incômodo da dor seja grande, insistimos em negar. Entretanto em algum momento da trajetória, o confronto será um inconveniente mais que necessário.

Por Daphne (Emily Beecham) protagonista que também dá nome ao longa-metragem que estreia nesse dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, somos apresentados à uma representação contemporânea da nossa espécie, vivendo dilemas universais e tão pertinentes, permeados pelo cinismo como arma diante do sentimento de vulnerabilidade e a necessidade de conexões enquanto há um forte receio em de fato estabelecê-las.

Aos 31 anos, Daphne tem a sensação de que sua vida está parada, pois se sente jovem demais para se estabelecer e velha demais para ficar zoando por aí. Para se distrair, ela se mantém ocupada com pessoas, amigos e amantes. Após presenciar um assalto, Daphne é forçada a confrontar esse limbo existencial, analisando de perto a pessoa que se tornou.

Na Londres, cenário e perfeita representação do conceito selva de pedra, rica em número de pessoas e em diversidade, sendo que ao mesmo tempo é possível observar como é tácito esse isolamento dos seres que a habitam, se trombam, se comunicam, porém se resguardam e se tornam reféns de máscaras, diga-se filtros, para se encontrarem física, porém não em essência.

Através de Daphne e suas vivências, especialmente nós que pertencemos à mesma geração podemos nos identificar em vários aspectos, afinal não é fácil encarar a imagem refletida no espelho e lidar com tudo que ela carrega e emana de volta. Confrontrar-se e assumir que as coisas não estão de acordo com suas expectativas, que você se sente perdido, falhando, insatisfeito, entretanto sem saber exatamente como agir para mudar isso não é fácil, muito menos confortável. Sobretudo com a consciência de que as cobranças externas também nos acompanham, oprimem e inquietam.

Cada dia é uma luta na tentativa de superar os desafios e superar-se em contrapartida. Muitas vezes você se pega reticente, recuando quando acredita que algo assim pode não valer o esforço e a dor. Nesse sentido Daphne surge como um processo de reconciliação de sua protagonista consigo, a vida e aqueles que a cercam, utilizando-se de uma linguagem natural, humana e global, capaz de tocar e envolver seus espectadores.

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