Desculpe o Transtorno | Crítica


Partindo do pressuposto do Transtorno Dissociativo de Identidade (“Condição mental em que um único indivíduo demonstra características de duas ou mais personalidades ou identidades distintas, cada uma com sua maneira de perceber e interagir com o meio.” – Wikepédia), o longa “Desculpe o Transtorno” do diretor Tomas Portella, que estreia no próximo dia 15 de setembro, vai além, usando os conflitos dos personagens de Gregório Duvivier (Eduardo/Duca) para causar no expectador algumas reflexões como as mencionadas abaixo:

I – Somos apenas um corpo, mas quantos seres habitam esse mesmo corpo?;

II – Quantas possibilidades de viver algo bom estamos desperdiçando por nos condicionar a um paradigma?;

III – Por que considerar tanto a opinião alheia, quando na verdade quem irá viver e arcar com as consequências somos nós mesmos? ;

IV – Afinal, quanto em nós é apenas reflexo do meio em que vivemos ou do qual estamos no momento?;

Entre outras, uma vez que nos mostra, ainda que de forma leve – já que escolheu a comédia como via –  que o transtorno pode se desenvolver devido a necessidade de fuga que o portador tem quando não consegue lidar com alguma tipo de situação, e que mesmo aqueles que não possuem tal transtorno estão passíveis de fugir e se esconder em situações limite.

O trio de protagonistas brilha, Dani Calabresa com sua personagens super caricata, tanto que em algumas cenas fica evidente uma crítica a esse momento em que vivemos tão conectados e conduzindo nossas vidas como que roteirizadas para se apresentarem nas redes sociais, enquanto Clarice Falcão traz uma Bárbara doce, divertida, que não é submissa a ditadura de aparências, mas que ainda assim muitas vezes se sente oprimida por ela. Já Gregório surge como o perfeito exemplo do resultado de uma vida inteira condicionada às vontades alheias e dos problemas que podem ser desencadeados a partir disso.

Além do trio, temos Rafael Infante que se destaca como Marceleza, melhor amigo e “terapeuta” (afinal todo amigo ocupa esse papel em algum momento) de Eduardo/Duca, com falas pontuais, bem-humoradas sem perderem a relevância para os questionamentos e desenvolvimento que o amigo necessita.

Rio e São Paulo surgem como extensão das personalidades de cada personagem, mesclando luz e sombra, retas e contornos, mar e prédios, que se transformam numa combinação visual perfeitamente harmônica e bela, ainda mais quando se soma a isso a voz doce e melódica de Fernanda Takai cantando Canção do Filme, música especialmente composta para o longa e que embala o casal Duca e Bárbara.

Tudo isso faz de “Desculpe o Transtorno” um filme que conquista pelo “lugar comum” e as possibilidades provenientes dele.

Data de lançamento: 15 de setembro de 2016
Direção: Tomas Portella
Elenco: Gregorio Duvivier, Clarice Falcão, Dani Calabresa, Marcos Caruso, Rafael Infante, Daniel Duncan e Zezé Polessa
Gêneros: Comédia romântica
Nacionalidade: Brasil
Nota do Filme:[yasr_overall_rating size=”medium”]