Dolores: Uma Mulher, Dois Amores | Crítica


Os acontecimentos mais marcantes da década de 40 foram a Segunda Guerra Mundial e seus desdobramentos que ainda hoje são sentidos em todo o mundo. Esse clima austero e cheio de conflitos é utilizado para ambientar a história de Dolores (Emilia Attias), uma mulher forte, inteligente e muito decidida que sai da Europa onde as divergências estão ficando cada vez mais intensas e públicas e retorna à Argentina após anos distante, buscando a chance de viver o amor que nutre por um homem. Entretanto esse homem, Jack (Guillermo Pfening), curiosamente era seu cunhado e agora está mergulhado em tristeza, álcool e dívidas após a morte da esposa, sendo não mais que uma sombra da memória que ela possuía dele.

Sim, por mais que ela tenha um interesse romântico e sexual por ele e queira viver essa história, que contém elementos para ser um romance, na verdade tudo acaba por se transformar em drama, afinal seu amor e empenho não parecem ser o bastante para mudar esta realidade. Em todo caso ela não se deixa abater e assume o controle dos negócios e da educação do sobrinho junto à irmã de Jack, Florrie (Mara Bestelli) que mesmo não estando contente com sua presença sabe que sem ajuda não irão conseguir manter a fazenda.

Para criar o ar de disputa pela protagonista, soma-se ao grupo, Octavio Brandt (interpretado pelo ator brasileiro Roberto Birindelli), que além do interesse, também possui poder aquisitivo para ajudá-la. Com o já conhecido triângulo formado, somos apresentados à questões como a diferenças culturais, machismo e convenções sociais. Embora a tendência da época e é uma realidade que ainda insiste em resistir, a objetificação da mulher é uma condição apresentada no enredo de Dolores, esses homens, ambos a querem e jogam com ela como se fosse uma questão que dependesse apenas do desejo deles, enquanto ela demonstra saber muito bem o que quer pra si. Ela mostra que é capaz de lutar pelo que quer e alcançar seus objetivos, e ainda que abdicar ou aceitar algo é uma decisão que ela toma conscientemente, de acordo com seus próprios anseios.

O grande destaque do filme fica com a direção de arte que compõe perfeitamente as ambientações campestres com figurinos clássicos e elegantes, e seus objetos bem característicos da época pelo que conhecemos dela. Contudo também temos um ótimo trabalho de Emilia, apresentando uma personagem de postura decidida, corajosa e desafiadora. Que sabe o poder que possui e que ele é superior à sua beleza física, característica pela qual é notada inicialmente, mas que se torna ínfima diante de sua inteligência e habilidade para negociações.

“Dolores: Uma Mulher, Dois Amores”, estreou no último dia 06 e marca uma parceria latina entre Brasil e Argentina.

Título Original: Dolores

Lançamento: 06 de abril

Direção: Juan Dickinson

Roteiro: Roberto Scheuer

Elenco: Emilia Attias, Guillermo Pfening, Roberto Birindelli ,Mara Bestelli, Jandir Ferrari

Gênero: Drama

Nacionalidade: Brasil, Argentina

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