‘Ele está de volta’ | E se Hitler voltasse? (Topflix)


O que aconteceria se Hitler voltasse? Será que suas ideias encontraria eco na sociedade? Alguém o levaria a sério? ou será que ele seria “abraçado” por alguns políticos que se identificam com suas ideias?

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Essas são algumas perguntas que parece nortear o filme “Ele está de volta”. Hitler (Oliver Masucci) de repente volta a vida nos dias atuais. Estranhando o mundo e sendo estranhado por todos,  logo ele chama atenção, não só por sua aparência e vestes, mas também pelos seus discursos, do jornalista freelancer Fabian Sawatzki (Fabian Busch) que está tentando alavancar a carreira. Assim, ele vai parar num programa de humor e faz muito sucesso.

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Baseado num livro com o mesmo nome de Timur Vermes, o roteiro é de David Wnendt, Mizzi Meyer, Marco Kreuzpaintner, Johannes Boss. Tentando construir as respostas às perguntas acima toda a história passa a ser uma análise de nossa época na perspectiva do ditador. Hitler era aficionado por cinema, mas na perspectiva de hoje, ele se interessaria pela TV. E é nela que ele trabalha seu plano para construir uma Alemanha forte. Aqui o roteiro trabalha de forma sutil as ideias nazistas e emula como seria a postura do líder em nossa época. A melhor parte é que em momento nenhum há fuga de piadas ditas politicamente incorretas, mas as situações em que são proferidas servem mais para ridicularizá-las do que para fazer rir. Mostrando um grande hipocrisia velada.

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A direção é de David Wnendt e sua opção de fazer um documentário dentro do filme é interessante. Aqui se repete um pouco do que é visto em Borat, pessoas comuns falando abertamente suas opiniões e isso assusta um pouco, vemos que, mesmo numa sociedade como a Alemanha, ainda há espaço para ideias que fariam Hitler sorrir. Apesar de ser uma comédia, não espere ver piadas prontas ou coisas desse tipo, as situações absurdas que nos fazem rir, é um tipo de humor que é necessário muita atenção e um pouco de conhecimento. Contudo, há momentos em que o filme fica um pouco arrastado e para mim ele é um pouco maior do que necessita. Mas nada disso impede a diversão, e os minutos finais são bem interessantes, ligam um sonoro alerta para todos. Destaque para a sequência em que o Führer volta a sede de seu partido, deparando se com membros moles e sem iniciativa.

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Quanto aos atores o destaque é o Oliver Masucci, ele encarna Hitler e vai além da aparência física, mas o modo de andar e falar. Toda essa caracterização dá um peso muito maior as atitudes e discursos. Fabian Busch faz o jornalista que vê naquele homem estranho a possibilidade de sucesso que, provavelmente, ele nunca teria por meios próprios. ele não mede esforços para conseguir o que quer e acaba se levando por aquela aparência de comédia, acordando depois para a realidade que não queria acreditar.

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Ele está de volta é uma comédia bem engajada. E alerta que, apesar de Hitler está morto, suas ideias tem ressurgindo como zumbis, mesmo cambaleante, tem conseguido contaminar muitos. Como dizia o  ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”