Elis | Crítica


A história de uma voz e personalidade extraordinárias, a grandeza e fragilidade de uma mulher que conquistou a sua e as gerações futuras, e que ainda hoje envolve, emociona, assusta e causa tamanha admiração. Essa é a história de Elis Regina, que todos poderão acompanhar a partir de quinta, 24 de novembro nos cinemas, através do longa do diretor Hugo Prata, “Elis”.

Elis

Hugo que sempre trabalhou ligado ao cenário musical, fazendo parte da equipe que introduziu a MTV Brasil e também dirigindo videoclipes, apresenta agora a belíssima adaptação da vida e carreira de Elis para as telonas. O longa exibe desde a sua chegada ao Rio de Janeiro onde sua carreira começou a alcançar grande destaque, a sua luta para se impôr diante de um mundo completamente machista, autoritário e ditatorial – Elis conquistou o sucesso no início da ditadura militar e faleceu antes dela chegar ao fim – até a sua trágica morte por overdose.

Elis

Com uma voz única, potente e dona de uma expressividade sem igual, Elis como muitos outros grandes talentos que não cabem em si e transbordam em sua arte tudo aquilo que lhes inspira, perturba e causa alguma sensação, derramou-se em suas canções. Ainda que não fosse compositora, assim que escolhia uma nova música para seus discos, ela se apropriava dela e ainda hoje é impossível ouvir essas mesmas músicas em outra voz sem associá-las a quem fez delas um sucesso.

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“E o que há algum tempo era novo, jovem, Hoje é antigo, e precisamos todos, rejuvenescer.” Velha Roupa Colorida

Dona de uma inconstância, provavelmente gerada pelo excesso de energia, criatividade e um anseio por sempre alcançar mais, ela era alguém extremamente perfeccionista, sendo estas possivelmente algumas das questões que a conduziram nesse caminho de tristeza e descontentamento que a fizeram abusar do álcool e até fazer uso de outros tipos de drogas, desencadeando assim na sua morte.

Elis

Num trabalho primoroso, o longa apresenta uma qualidade fantástica em caracterização, cenários, fotografia e roteiro, que permite uma completa imersão do espectador na história, mesmo para aqueles que talvez nunca tiveram a chance de ver ou ouvir algo sobre essa grande mulher e cantora.

Perfeitamente interpretada pela atriz Andréia Horta – que se dedicou intensamente na preparação, chegando a trabalhar até 8 horas por dia, durante 5 meses, num processo que envolvia desde canto, forma de falar, o gestual até a postura física, algo que sempre se destacou e definiu quem era Elis Regina – em alguns momentos chega a ser assustador testemunhar em tela tamanha semelhança física e até expressiva.

Composto por um elenco super talentoso e aplicado, que tem em seu núcleo central junto a Andréia, Lúcio Mauro Filho como Luís Carlos Miele, Gustavo Machado como Ronaldo Bôscoli e Caco Ciocler como César Camargo Mariano, “Elis” é uma bela homenagem a esta mulher que esteve a frente de seu tempo e que mudou a história da música brasileira.

Título Original: Elis
Direção: Hugo Prata
Roteiro:
Luiz Bolognesi, Vera Egito, Hugo Prata
Elenco:
Andréia Horta, Gustavo Machado, Caco Ciocler, Lucio Mauro Filho, Icaro Silva,

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