Nota:

Título Original: Hikari Lançamento: 10 de maio Direção: Naomi Kawase Roteiro: Naomi Kawase Gênero: Drama Elenco: Masatoshi Nagase, Ayame Misaki, Tatsuya Fuji Nacionalidade: Japão, França
9.0
Pros
Fotografia, roteiro, atuações
Cons
-

Tão luminoso e resplandecente quanto o próprio nome sugere, Hikari no japonês e Esplendor no português, o novo filme da cineasta Naomi Kawase é uma experiência inesquecível e sensorial, não somente pela proposta de sua história, que é centrada na relação desenvolvida ao longo da produção entre Misako (Ayame Misaki) – uma escritora apaixonada de versões cinematográficas para deficientes visuais – e Masaya (Masatoshi Nagase) – um fotógrafo mais velho que está perdendo lentamente sua visão -, como também por seus aspectos técnicos, especialmente sua fotografia tão solar e granulada em alguns momentos, como densa e com luz e sombra tão marcadas em outros.

É como se a diretora conseguisse emanar, expôr em tela também através da fotografia todas as sensações e sentimentos dos personagens até mesmo as mais resguardadas por eles. Inclusive o filme terá exibição com audiodescrição no Brasil, tornando-se acessível aos deficientes visuais que se interessarem e também permitirá que pessoas sem deficiência façam um exercício de empatia ao experienciar a obra através de um outro sentido, que não a visão. Nesse sentido, talvez contribuindo para uma compreensão maior e até mesmo facilitar o processo para que outras obras tenham a possibilidade de serem exibidas contando com a audiodescrição.

Enquanto há a perda da visão, há também o despertar de novos sentidos e desejos por parte de Masaya, mesmo externando uma austeridade, é possível notar que essa tem sido uma arma diante da situação na qual se encontra, camuflando o medo, a fragilidade e o receio de que com a visão se fosse também a capacidade de viver.

Já Misako é a mais pura representação da delicadeza e sensibilidade na superfície, porém se mostra uma fortaleza quando confrontada, capaz de se posicionar firmemente quando julga necessário. Ela também absorve o que está ao seu redor de uma maneira que transforma tais experiências em algo mais, recuando e assimilando melhor para então agir e desenvolver algo novo.

A história dos dois é permeada por perdas, superações, recomeços, descobertas e reencontros que os impacta e une de uma maneira profunda, questionadora, reflexiva e progressiva. Naomi trabalha nos detalhes e apresenta um filme que conquista, emociona sem ser demasiado dramático. Assim como as perdas, o luto, os medos estão intrínsecos à experiência que é viver, e estamos sempre aprendendo e encontrando o nosso próprio jeito de lidar com eles. Não necessariamente será o melhor, mas é o que somos capazes naquele momento, e isso é válido, é humano e necessário, ninguém mais pode fazer isso por nós.

Viver, é adaptar-se, e nessa jornada, somos todos aprendizes.

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