The Breakdown

Título Original: I Can Only Imagine Lançamento: 31 de maio Direção: Andrew Erwin, Jon Erwin Roteiro: Jon Erwin, Brent McCorkle Gênero: Drama, biográfico Elenco: Dennis Quaid, J. Michael Finley, Madeline Carroll, Cloris Leachman, Trace Adkins, Rhoda Griffis Nacionalidade: Estados Unidos
7.5

Minha fé e minhas dúvidas andam de mãos dadas. Sempre foi assim. Entretanto sinto e reconheço que há alguém que olha por mim e pelos meus, independente de igreja e religiões. Inclusive uma das coisas que mais me incomodam e até me afastam um pouco do ambiente igreja é o fato de como o povo usa tal ambiente e o que é pregado ali para manipular, oprimir e se destacar em meio aos outros.

E por que começar esse texto dizendo isso? Justamente porque não é um filme que utiliza desta forma a fé de seus personagens e uma igreja para conquistar e emocionar seus espectadores. O fato é que Eu Só Posso Imaginar, longa biográfico baseado na vida de Bart Millard, o cantor e compositor – o qual eu nunca tinha ouvido falar até então ou sua música que inspirou o filme I Can Only Imagine – líder da banda cristã MercyMe, retrata a difícil trajetória desse homem que na infância sofreu com um pai alcoólatra e abusivo, uma violência física e psicológica, o abandono da mãe, encontrando na música seu refúgio e aproximação com a fé e Deus.

Sem compreender o porquê de aquilo está acontecendo com ele, Bart cresce tentando se moldar ao que julgava que faria seu pai satisfeito e assim reduzir os maus tratos, contudo a vida mais uma vez se interpõe com dolorosos acontecimentos, e é mediante um deles que Bart acaba por entrar meio a contragosto para o glee club de sua escola, se conectando ainda mais fortemente com a música e desenvolvendo seu dom como cantor. A partir desse momento uma nova possibilidade se apresenta e ele decide ir em busca da realização de viver da sua arte, da sua música.

Como todo criativo, Bart descobre que essa é uma jornada tão ou mais difícil de se obter êxito, reconhecimento público e financeiro. E mais, que cada uma de suas vivências pode e deve ser material para as suas criações, tanto que foi devido à uma dolorosa perda que ele compôs a música que dá título ao filme e que foi a responsável pela guinada em sua carreira, se tornando um single ganhador de prêmios e destaque além das fronteiras americanas, especialmente considerando que se trata de uma música cristã.

É uma história sobre dor, perdas, transformações, fé, esperança, amadurecimento e perdão. É ainda um retrato sensível da relação do homem com a fé, esse sentimento tão poderoso e regenerador e como ela permeia nossas vivências, as atitudes que tomamos ou deixamos de tomar. Acima de tudo é uma história de reaproximação entre um pai e um filho, onde eles têm a oportunidade de enfrentar tudo o que os levaram até aquele momento, por mais doloroso que tenha sido e tentar resgatar esse relacionamento, unindo-se nesse exercício de fé e amor em Deus e entre eles.

Eu Só Posso Imaginar está fazendo sua estreia hoje nos cinemas nacionais e pode te levar às lágrimas, assim como fez comigo e com os amigos presente na cabine de imprensa. Portanto, fica a dica: Vá ao cinema conferir esse longa preparado com um pacote de lencinhos, pois você pode precisar.