Expocine | Crise impulsiona mercado de cinema no Brasil


Opções de lazer mais baratas crescem na recessão econômica e bilheterias registram recordes, mesmo com a queda no poder de consumo do brasileiro, avalia Marcelo Lima, diretor da Expocine.

Marcelo Lima Expocine

O encolhimento do crédito, as incertezas geradas pelo alto índice de desemprego e a necessidade de evitar grandes investimentos neste momento de instabilidade do País são alguns dos fatores que têm contribuído para o crescimento do mercado cinematográfico em plena crise.

A avaliação é do diretor da Expocine – maior feira de negócios voltada ao cinema na América Latina –, Marcelo Lima, ao analisar o crescimento de 20,1 % da bilheteria no Brasil e 13% da bilheteria na América Latina em 2015 em comparação com o ano anterior e os recorrentes recordes de lançamentos de filmes registrados este ano no Brasil.

“O conturbado cenário político-econômico tem obrigado o brasileiro a adiar planos maiores como a compra ou reforma da casa e a troca de carro, além de diminuir os gastos com viagens e opções de lazer mais caras. Com isso, o cinema surge como alternativa natural de programa acessível para se fazer em família ou entre amigos”, explica.

De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), 172,9 milhões de espectadores passaram pelas salas de cinema do Brasil no ano passado, o que significa um aumento de 11,1% em relação a 2014.

Dos 11 maiores públicos registrados em toda a história do cinema no País, quatro ocorreram entre 2015 e 2016 – Os Dez Mandamentos – O Filme, com 11.259.536 de espectadores, na 3ª posição; Vingadores: Era de Ultron, com 10.117.028 espectadores, na 8ª posição; Velozes e Furiosos 7, com 9.845.198 espectadores, na 10ª posição; e Capitão América: Guerra Civil, com 9.596.716 espectadores, em 11º.

As três melhores bilheterias de estreia no cinema nacional também foram apuradas neste ano: Capitão América: Guerra Civil (público de 2.653.770 espectadores e renda de R$ 43.775.564,00); Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2.633.734 espectadores e renda de R$ 40.592.192,00) e Esquadrão Suicida (2.283.565 espectadores e renda de R$ 38.796.120,00).

E das dez maiores bilheterias contabilizadas no Brasil desde 2004, nada menos do que oito foram conquistadas entre 2015 e 2016 (Vingadores: Era de Ultron, em 1º; Capitão América: Guerra Civil, em 2º; Velozes e Furiosos 7, em 3º; Batman vs Superman: A Origem da Justiça, em 4º; Minions, em 6º; Os Dez Mandamentos – O Filme, em 7º; Procurando Dory, em 8º e Star Wars: O Despertar da Força, em 9º).

“Este crescimento só não tem sido maior porque o setor de shoppings centers, que está diretamente atrelado ao de cinema, arrefeceu com a queda do poder de consumo do brasileiro, impedindo a abertura de mais complexos cinematográficos”, analisa Marcelo Lima.

Por outro lado, segundo ele, tal cenário faz crescer a busca dos empresários de cinema por aprimorar as suas salas de exibição e, assim, oferecer uma melhor experiência para o público.

“O capital gerado por essas bilheterias milionárias, que num cenário normal seria utilizado para criar mais salas, está sendo alocado para a modernização dos complexos já existentes”, aponta o diretor da Expocine.