Fragmentado | Crítica


Com uma sutileza de detalhes mínimos o diretor e roteirista M. Night Shyamalan constrói a história de seu novo longa, “Fragmentado”, estrelado por James McAvoy e Anya Taylor-Joy, que estreia quinta, 23. A escolha de cada ângulo permite ao espectador mergulhar profundamente na história, sentir os personagens e suas reações. M. Night tem o dom de arquitetar e desenvolver suas tramas de uma maneira intrigante e extremamente interessante, desde a forma como cenário, objetos e personagens são perfeitamente dispostos pelo quadro, é como se ele criasse camadas, à medida vai sobrepondo-os, ele cria profundidade, expõe e oculta, distorce, como num jogo psicológico, através do qual nos tornamos peças movimentando de acordo com o seu desejo, até a forma como conduz seu elenco na interpretação.

Ele por vezes opta pela utilização da câmera como observador, movimentando-a de uma forma bem perceptível, colocando o espectador nessa posição – é como se fosse a perspectiva de sua visão ao se movimentar daquela maneira, naquele local, naquele momento – e embora se saiba que não é possível interferir no resultado da história que estamos assistindo, isso agrega uma sensação de excitação por se sentir parte do mistério que envolve os personagens do thriller. Com um jeito todo próprio de contar histórias, acrescentando muitas vezes um olhar utópico, M. Night eleva características e habilidades humanas para sobre-humanas, sem contudo transformar o personagem magicamente, ele escolhe manter inclusive fisicamente falando algo muito próximo do considerado “normal”. É como se ele estivesse apresentando um processo evolutivo da humanidade, desenvolvendo algumas habilidades simples em apenas alguns níveis diante de nós.

Em Fragmentado somos apresentados à história de Kevin (James McAvoy), um jovem que padece de Transtorno Dissociativo de Identidade, possuindo 23 personalidades que se alternam – como eles utilizam no filme, personalidades que vêm à luz – , cada uma delas com idades, sexo e uma maneira de enxergar o mundo completamente distintas. O personagem foi dominado por algumas delas que têm planos um tanto quanto perversos, que se desenvolvem a partir da captura de três moças, sendo uma delas a personagem Casey, muitíssimo bem interpretada por Anya, uma jovem de olhar vidrado que esconde vivências dolorosas, porém que mostra-se extremamente inteligente, resistente, resiliente. Uma lutadora sem dúvida.

McAvoy oferece uma atuação impecavelmente perfeita. A cada personalidade ele consegue imprimir um olhar, um gesto, uma postura, uma forma de falar e um timing diferentes. É impressionante! De fato trata-se de uma produção memorável e que há de conquistar muitos fãs. M. Night Shyamalan criou e está expandindo seu  extraordinário mundo a medida que o compartilha conosco. Sorte a nossa!

Título Original: Split

Lançamento: 23 de março

Direção: M. Night Shyamalan

Roteiro: M. Night Shyamalan

Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Brad William Henke, Kim Director, Sterling K. Brown, Sebastian Arcelus

Gênero: Suspense, terror

Nacionalidade: Estados Unidos

[yasr_overall_rating size=”medium”]