Game of Thrones | Sétima temporada teve encerramento pra ninguém botar defeito


Sim, neste ano, Game of Thrones passou por problemas de ritmo — o que pareceu muito mais resultado de escolhas feitas conscientemente pelos showrunners David Benioff e D.B. Weiss do que sinal de que eles perderam a mão ou coisa do tipo. Mas isso fica para uma análise da temporada completa…

Mesmo o fã mais implicante, que ficou questionando a velocidade dos corvos ou a origem das correntes na semana passada, há de reconhecer que The Dragon and the Wolf foi um episódio, no mínimo, eletrizante.

A sequência inicial, com a chegada da comitiva de Daenerys (Emilia Clarke) em Porto Real, ajudou a estabelecer a atmosfera de tensão antecedendo o confronto com Cersei (Lena Headey). De quebra, trouxe o reencontro singelo de Tyrion(Peter Dinklage) e Podrick (Daniel Portman), e outros mais promissores, como o do anão com Bronn (Jerome Flynn) — será que o mercenário vai acabar mudando de lado? — e o de Sandor (Rory McCann) e Brienne (Gwendoline Christie) — o que foi aquela cortesia mútua? O Cão está a caminho da redenção? Ou haverá uma revanche entre eles?

Bem construída, a reunião no Fosso dos Dragões criou ao menos um gancho para o futuro — a encarada de Sandor e o zumbi Gregor (Hafþór Júlíus Björnsson) gerou expectativas para o acerto de contas entre os irmãos Clegane. Os demais acabaram se resolvendo no próprio episódio — a entrada triunfal de Daenerys, por exemplo, foi uma demonstração de poder, mas serviu também para posteriormente ilustrar a astúcia de Cersei, que observou a ausência de um dos dragões da khaleesi. Ao rejeitar os termos da trégua propostos pela rainha Lannister, Jon (Kit Harington) não apenas provou sua lealdade a Dany, reforçando os laços entre eles, como mais tarde motivou Theon (Alfie Allen) a questionar sua postura e finalmente criar colhões (rá!) para ir ao resgate de Yara (Gemma Whelan).

Isso sem falar no momento em que a caixa foi aberta e… nada aconteceu de imediato. Um belo exemplo de como criar suspense por meio de uma cena anterior e aparentemente ordinária — ao mostrar o Cão descendo para um dos compartimentos do navio e conferindo se o wight estava “vivo”, o roteiro espertamente sugeriu a ideia de que alguém poderia muito bem sabotar o plano de Tyrion e libertar a criatura antes de sua revelação.

Desenvolvida com ainda mais antecedência, a reviravolta em Winterfell foi bastante eficaz em termos narrativos. A animosidade entre as irmãs Stark, crescente ao longo de toda a temporada, conferiu peso à ordem dada por Sansa(Sophie Turner) para que Arya (Maisie Williams) fosse trazida à sua presença. Ao mesmo tempo, contribuiu para a surpresa no momento em que as acusações começaram a ser feitas a lorde Baelish (Aidan Gillen). Embora muito satisfatória, a morte de Mindinho priva a série de um de seus personagens mais interessantes.

Enquanto os laços familiares se estreitaram no Norte, a coisa ficou feia para os Lannisters. O encontro de Cersei e Tyrion reafirmou a impossibilidade de conciliação entre eles — e a descoberta da traição dela certamente acabará com qualquer ilusão do anão a respeito de qualquer convívio civilizado com a irmã. Afinal, nem mesmo Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) foi capaz de aceitar a estratégia dela. A cena final do regicida, aliás, pareceu apontar que ele, enfim, irá completar sua transição de vilão a mocinho — e a relação com Brienne possivelmente terá alguma influência nesse sentido.

O ponto alto, porém, foi mesmo a confirmação de que Jon é, na verdade, filho de Rhaegar Targaryen e Lianna Stark. A sequência, muito bem elaborada, salientou o papel de Sam (John Bradley) como detentor de informações e apresentou um novo aspecto do poder de Bran (Isaac Hempstead Wright) — além de conseguir escolher pontos específicos do passado, ele é capaz de retornar a um instante já visitado (o nascimento de Jon) e aprofundar seu conhecimento a respeito (ouvindo, por exemplo, o que Lianna sussurrou para Ned, algo que não havia conseguido da primeira vez), se souber o que está procurando?

A constatação de Bran de que a revolução de Robert Baratheon (Mark Addy) foi, portanto, baseada em uma mentira e que Jon é o real herdeiro do Trono de Ferro acrescentou uma perspectiva diferente à consumação do romance entre o Rei do Norte e a khaleesi — como Daenerys reagirá ao descobrir que seu novo amante é também seu sobrinho e um potencial adversário na disputa pelos Sete Reinos?

Além de bombástico, o encerramento trouxe alguns questionamentos — se um dragão era necessário para derrubar a Muralha, a captura de Viserion fazia parte do plano do Rei da Noite desde o princípio? Teria ele algum poder premonitório, como o de Bran?

Que venha a última temporada!