Nota:

Título Original: Gauguin: Voyage de Tahiti Lançamento: 23 de agosto Direção: Edouard Deluc Roteiro: Edouard Deluc, Etienne Comar, Thomas Lilti, Sarah Kaminsky Gênero: Drama, Biografia Elenco: Vincent Cassel, Tuheï Adams, Malik Zidi, Pernille Bergendorff Nacionalidade: França
6.0
Pros
Atuações
Cons
-

Viver de arte.

Quem vive?

E dá pra viver só de arte?

E seria uma arte autoral? Ou a arte de reprodução em grande escala, industrial?

No drama biográfico Gauguin: Viagem ao Taiti, que chega aos cinemas nacionais hoje e é estrelado por Vincent Cassel, todas essas questões estão entremeadas pelas suas vivências e sonho de conquistar o mundo através da sua pintura, expressão artística que guiava todas as suas ações e desejos.

Entretanto, como bem sabemos, querer não significa necessariamente poder e Gauguin experimentou isso de maneira bem intensa, já que durante sua vida confrontou a não valorização de sua obra, por mais obstinado e às vezes cabeça dura ele tenha sido.

É uma história sobre o homem que é também um artista e que coloca tudo em sua vida a serviço de sua arte, que é aquilo que lhe desperta, lhe impulsiona, lhe traz alegria e motiva a seguir. É sobre alguém que abdica de tudo e qualquer coisa por essa arte de forma que se perde em meio a tudo que almeja e consequentemente perde aqueles que o cercam.

Inclusive desenvolve com a sua segunda esposa no filme uma relação possessiva, na qual a considera sua musa inspiradora –  e foi, tanto que suas obras mais marcantes são com ela – e a impõe uma vida de miséria na arte. É doloroso de acompanhar, não somente isso, como todo o restante que compõe cada passagem retratada no longa, acompanhando desde a sua saída da França até a sua imersão total e completa na selva taitiana e o que se seguiu.


Cassel não deixa a desejar, e nos oferece uma atuação honesta, forte, que alguns momentos consegue provocar nossa raiva e outras nossa compaixão para com o protagonista. Destaque também para a atriz Tuheï Adams com sua Tehura, inteligente, doce, sensível, serena e uma fortaleza que não precisa da força para dominar tudo a seu redor, basta seu olhar penetrante e profundamente hipnotizador, atraindo todos para ela. Tudo isso rende uma bela, porém difícil trama de se acompanhar, especialmente para criativos, posso dizer, visto que a identificação por essa dura luta em viver através de sua arte é uma constante.