Guardiões da Galáxia Vol. 2 | Crítica


Quando o primeiro Guardiões da Galáxia chegou aos cinemas em 2014, ninguém sabia muito bem o que esperar de uma adaptação que envolvia personagens tão estranhos e pouco conhecidos do público, como um guaxinim falante e uma árvore com sérios problemas de locução. A surpresa foi um filme extremamente empolgante, divertido e carismático, com força para alcançar a quarta maior bilheteria da Marvel desde o início do desenvolvimento do seu universo cinematográfico em 2008. Com a chegada de Guardiões da Galáxia Vol. 2, vemos essa fórmula se repetir de forma magistral, consolidando a força e o papel desses personagens no imaginário do público.

A trama começa com uma cena de ação genial, onde os Guardiões da Galáxia prestam um serviço para uma civilização conhecida como Soberanos. Ao concluir o serviço, os Guardiões se metem em uma confusão e provocam a ira dos Soberanos. Perseguidos pela Galáxia, o grupo acaba encontrando Ego (Kurt Russell), o pai desaparecido de Peter Quill (Chris Pratt), que vai trazer questões mal resolvidas da infância do seu filho para o centro da relação do grupo. Nesse meio tempo, os saqueadores são avisados sobre a recompensa oferecida pelos Guardiões e vão em busca dos heróis também, botando em jogo a lealdade de Yondu (Michael Rooker). Todos esse acontecimentos vão gerar uma reação em cadeia que vai ocasionar o surgimento de uma força mal intencionada de onde menos se espera e ameaçar a vida de todo o universo.

É impossível ir além na sinopse do filme sem dar spoilers sobre sua trama. Porém, o roteiro que gira em torno de uma história consideravelmente simples acerta em focar nas relações entre os personagens. O principal ponto positivo do longa é o desenvolvimento da personalidade de todos os seus personagens, através de arcos individuais muito bem desenvolvidos que se entrelaçam, colaborando para aproximá-los do público e elevar suas histórias a um patamar maior de profundidade.

A química entre os protagonistas, tão bem construída no primeiro filme e mérito do excelente elenco, aqui se fortalece principalmente em torno do conceito de família que permeia a maioria das questões abordadas no roteiro. Personagens que antes foram pouco desenvolvidos, aqui ganham maior destaque, como Nebula (Karen Gillan) e Yondu, outros são apresentados ao público, como Mantis (Pom Klementieff), Stakar Ogord (Sylvester Stallone) e a fria Ayesha (Elizabeth Debicki), que promete ter um papel importante no futuro do universo cinematográfico da Marvel (MCU).

Outro acerto é seguir a linha despretensiosa do seu antecessor. A partir do momento em que todo o longa aceita sua surrealidade e caminha sem se levar muito a sério, a história se desenrola em torno de ótimas cenas de ação e drama, sem deixar de lado em momento algum o seu humor sádico e irônico intercalados de forma muito orgânica na trama. Se destaca nesse ponto o personagem de Drax (Dave Bautista) que ganha um papel mais leve, menos destrutivo e sisudo, e é quem protagoniza as melhores piadas com um senso de humor extremamente franco e sem noção. Impossível não gargalhar com ele depois de suas piadas constrangedoras. O pequeno Groot (voz de Vin Diesel) mantém o posto de personagem mais fofo da franquia e foi sabiamente utilizado no filme sem apelar demais para a fofura constante que suas aparições poderiam acarretar no público.

Tantos acertos são obra do diretor e roteirista James Gunn, que dirigiu o primeiro filme e manteve a qualidade da franquia nessa continuação. Guardiões da Galáxia consegue alcançar um feito difícil entre as produções de super heróis atuais, que é agradar o público mais jovem e o público mais velho de forma orgânica. O humor utilizado no filme  é ao mesmo tempo familiar e vulgar, sem ser explicito, porém sempre trabalhando com entrelinhas muito bem pensadas para agradar a todos e não prejudicar a classificação indicativa da obra. O lado dramático da história é muito bem desenvolvido, sem deixar o filme sombrio demais, como a concorrente DC adora fazer. Gunn parece usar uma grande balança para pesar o nível certo de todos os elementos necessários para fazer um filme completo e sem muitas falhas, seja através de um humor despretensioso e peculiar, o uso abusado de cores fortes e vibrantes, sentimentalismo dramático e cenas que beiram o cinema trash dos anos 70/80.

O visual do filme, inclusive, é muito bem pensado, construído e cheio de referências. Desde o design de produção dos cenários, passando pela maquiagem da enorme variedade de espécies alienígenas da trama e os efeitos especiais impecáveis, até os figurinos extremamente ricos combinados a uma fotografia muito colorida e clara, principalmente nas cenas mais psicodélicas. Tudo é feito para que o espectador se sinta vendo a transposição precisa dos quadrinhos para a tela do cinema.

Assim como no primeiro filme, a trilha sonora mais uma vez é um destaque, com uma grande quantidade de músicas da década de 80 impecavelmente selecionadas para enriquecer o roteiro. Apesar de menos conhecidas e marcantes que as do primeiro longa, a importância das músicas na história é tão grande que temos cenas inteiras em que os diálogos são construídos em função de suas letras e melodias. Marcam presença aqui faixas de grandes nomes como George Harrison, Fleetwood MacJay and the Americans e Cat Stevens.

Falhando apenas no desenvolvimento mais arrastado do seu segundo ato, Guardiões da Galáxia Vol. 2 não supera seu original simplesmente por não ter esse objetivo. Fica claro que a intenção de James Gunn aqui foi expandir o universo cósmico da Marvel e manter o nível de qualidade do primeiro longa da franquia. Com seus muitos easter eggs (seja ao longo do filme ou através das cinco cenas pós-créditos), referências da cultura pop, excelentes cenas de ação, personagens carismáticos, músicas contagiantes e elementos clichês muito bem utilizados pelo roteiro, é difícil sair do cinema sem querer ver mais muitas horas de filmes desses heróis desajustados e imperfeitos mas tão cativantes e divertidos. Com um universo cósmico tão bem consolidado, vemos os horizontes da Marvel se expandirem cada vez mais e seguirem seu rumo ao iminente ápice que promete ser o encontro dos Guardiões da Galáxia com os Vingadores em Guerra Infinita.

Título Original: Guardians of the Galaxy Vol. 2

Lançamento: 27 de abril de 2017

Direção: James Gun

Roteiro: James Gunn, Dan Abnett

Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Dave Bautista, Bradley Cooper, Michael Rooker, Karen Gillan, Pom Klementieff, Sylvester Stallone, Kurt Russel, Elizabeth Debicki

Gênero: Aventura

Nacionalidade: EUA

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