HALLOWEEN | CRÍTICA 2


The Breakdown

Título Original: Halloween Lançamento: 25 de outubro de 2018 Direção: David Gordon Green Roteiro: David Gordon Green, Danny McBride, Jeff Fradley Gênero: Terror Elenco: Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, James Jude Courtney, Nick Castle, Haluk Bilginer Nacionalidade: USA
4.0

Lançado em 1978, Halloween surgiu como um dos motores para um, até então, novo subgênero de terror que ficaria bastante popular e seria conhecido como slasher, estabelecido previamente por filmes como Psicose (1960), clássico de Alfred Hitchcock, e O Massacre da Serra Elétrica (1974).

Com um modelo pré-definido simples, onde um assassino em série sai em busca de vitimizar o maior número de pessoas possível, a fórmula funcionou e rendeu bons filmes, comumente transformados em franquias, como Sexta-Feira 13 (1980), A Hora do Pesadelo (1984), Brinquedo Assassino (1988) e Pânico (1996). Esse último, inclusive, usava de metalinguagem e diversas referências – incluindo a exibição do próprio Halloween durante uma festa atendida pelos personagens – para falar sobre o subgênero, mesclando o terror à comédia.

Estrelado por Jamie Lee Curtis, Halloween contava a história de Laurie Strode que, na noite de Dia das Bruxas, como o dia 31 de outubro é conhecido por aqui, é perseguida por Michael Myers, um assassino mascarado que fugiu do manicômio em que esteve desde criança após matar a própria irmã. O filme foi um sucesso absoluto e, três anos depois, ganhou uma continuação com o retorno dos personagens.

Entre idas e vindas, decisões tomadas erradas e uma enorme vontade de fazer dinheiro em cima de um produto  que, aos poucos, tornava-se um tanto quanto capenga, Halloween se popularizou e ganhou algumas continuações. Com histórias que não empolgavam e inovações que não pegaram, a franquia viveu uma sobrevida durante esses quarenta anos que marcam o seu retorno com o filme que estreia nesta quinta (25).

Ignorando todas as sequências anteriores – são dez filmes ao todo, quatro deles coma participação de Curtis e um remake dirigido por Rob Zombie com direito a sequência –, o novo Halloween (dir. David Gordon Green, 2018) é uma continuação do longa original. Na história, passaram-se quarenta anos desde que Laurie teve seu primeiro encontro com o homem que aterrorizaria toda a sua vida desde então na cidade de Haddonfield, em Illinois. Agora mãe e avó, ela nunca conseguiu se recuperar da fatídica noite e, no lugar de uma vida tranquila, viveu se preparando ferrenhamente para um derradeiro encontro com o vilão a fim de colocar um ponto final naquela história.

A oportunidade enfim aparece quando, ao ser transferido entre instituições onde está internado desde o acontecido, Myers consegue escapar do ônibus que o transporta e recomeça as suas matanças enquanto abre o caminho para o seu encontro com Laurie.

Suspense, marca registrada da franquia, não falta, mas é um dos únicos pontos altos desse novo filme. A direção de David Gordon Green, conhecido por comédias como Segurando as Pontas (Pineapple Express, 2008) e O Babá(ca) (The Sitter, 2011), também é interessante e traz alguns planos-sequência que fazem prender o fôlego enquanto aguardamos o seu desfecho. Mas a história em si é tão pouco interessante que, a não ser que você seja um grande fã da franquia, torna-se entediante rapidamente.

Myers está fora da prisão e segue um caminho que, eventualmente, cruza com o de Laurie, mas devido ao mistério que circunda o personagem, não há certeza se essa sempre foi sua intenção ou se tudo aconteceu coincidentemente – a primeira opção acaba ficando implícita. Dessa forma, não há uma clara motivação nas suas ações e as mortes aleatórias fazem pouco sentido. Não dá nem para dizer que os fãs do subgênero serão agraciados com um banho de sangue porque as mortes muitas vezes ficam fora do plano principal, dando um foco muito maior no personagem durante a execução.

A horda de adolescentes descartáveis que costuma permear esses filmes, encabeçada por Andi Matichak, que interpreta a neta de Laurie, Allyson, também tem sua vez com o vilão, mas o encontro parece bastante forçado, deixando uma sensação de “contratamos esses aqui para que você os matasse, então é bom que você faça isso”. Uma das mortes, no entanto, remete ao filme original, trazendo uma sensação nostálgica ao conjunto. Porém, a morte seguinte é omitida, deixando apenas o rastro do trabalho de Myers, o que acaba sendo frustrante.

No encalço de uma série cheia de altos e baixos – mais baixos do que altos –, o novo longa pode servir como um sopro de alívio para os fãs que esperavam uma continuação que, ao menos, esbarrasse na qualidade do original, mas ele só funciona, realmente, porque seus antecessores são bem piores. Ademais, é uma hora e meia de uma história que pouco acrescenta à mitologia da série ou empolga o suficiente para conquistar novos fãs.

Confira o trailer legendado:

 

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