Horizonte Profundo – Desastre no Golfo | Crítica 2


A ganância do ser humano é algo sem precedentes e diariamente muitos sofrem algum tipo de perda devido a isso. Frequentemente acompanhamos nos jornais notícias tristes e nos sentimos abalados ou ainda muitas vezes nem nos damos conta da gravidade do que estamos assistindo, mudamos de canal e seguimos nossas vidas como se nada tivesse acontecido, afinal é triste e tudo mas não foi conosco.

Isso provavelmente deve ter acontecido quando foi noticiado o acidente na plataforma americana de petróleo Deepwater Horizon, que estava posicionada no Golfo do México em 2010. Durante a fase final de perfuração de um poço ocorreu um vazamento de petróleo seguido de uma grande explosão que causou um incêndio e a destruição da plataforma.

Horizonte

Nela estavam mais de 120 funcionários, dos quais 11 faleceram. E é essa história que todos irão acompanhar em  “Horizonte Profundo – Desastre no Golfo”, que chega às telonas no próximo dia 10 de novembro. Inspirado nessa história real, o filme estrelado por Mark Wahlberg e dirigido por Peter Berg (“Grande Herói” 2013, “Battleship – A Batalha dos Mares” 2012, “Hancok” 2008,) traz desde algumas horas anteriores ao acidente, enquanto os personagens do núcleo central estavam em terra, o retorno à plataforma, o resgate e a luta daqueles que tentavam sobreviver até algumas imagens do que se passou no julgamento dos “responsáveis”  pelo ocorrido. Sim, “responsáveis”, pois eles foram inocentados pela justiça de arcar com as consequências de suas atitudes.

No longa podemos ver quão difícil é o trabalho desses homens e mulheres, quão atentos e criteriosos eles precisam ser. Também mostra quanta pressão há sobre eles e como isso pode afetar os resultados – 11 mortos, vários feridos, 3 meses de vazamento de petróleo que se espalharam pela costa de vários estados americanos, sendo este um dos piores vazamentos de petróleo, bem como um dos piores acidentes provocados por falha humana – , afinal por mais tecnologias que se possuam quem as gerencia são seres humanos. E aí torna-se aterrorizante assistir a angústia dessas pessoas, que num dia comum de trabalho se veem cercados por explosões e um incêndio que poderiam ter sido evitados.

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Também é assustador acompanhar que aqueles que mais se empenharam em apressar o processo sem as devidas verificações de segurança, eram os mais insensíveis à tudo o que ocorria diante de seus olhos. Como se tudo aquilo fosse apenas mais um empecilho para seu planos e projeções lucrativas.

Para que tudo isso pudesse ser sentido e compreendido, tivemos o trabalho primoroso de Wahlberg – que também assina como um dos produtores – como Mike Williams, técnico chefe de eletrônica, um dos últimos a deixar a plataforma e um dos responsáveis por ajudar a salvar várias vidas junto a Caleb Holloway (Dylan O’Brien) um dos operadores de perfuração; Kurt Russel (Jimmy Harrel) gerente da plataforma, que tentou por vezes avisar aos executivos sobre os riscos que corriam, tentando evitar a extração sem a segurança necessária mesmo com toda a pressão que sofria; Gina Rodriguez (Andrea Fleytas), operadora de posicionamento dinâmico, que tentou desligar todas as máquinas quando talvez ainda fosse possível conter os danos, porém  foi detida por um superior; Kate Hudson como Felicia Williams, esposa de Mike, que expressou em tela toda a angustia, sofrimento e incerteza dos familiares ao descobrirem sobre o acidente e a espera por notícias e John Malkovich como o executivo Donald Vidrine, ambicioso, obstinado e indiferente à tudo que não significasse dinheiro e lucro.

“Horizonte Profundo – Desastre no Golfo” é intenso, doloroso, reflexivo e vale muito a ida ao cinema.

Título Original: Deepwater Horizon
Direção:
Peter Berg
Roteiro:
Matthew Sand, Matthew Michael Carnahan
Elenco:
 Mark Wahlberg, Kurt Russell, John Malkovich, Dylan O’Brien, Gina Rodriguez, Kate Hudson

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