House of Cards | Crítica 4° temporada


A politica deixou de ser só teatro, é puro entretenimento. Vamos montar o melhor show da cidade. Frank Underwood 

Assim é House of Cards. E sou obrigado a falar, que show! Essa temporada começamos com a briga entre Claire (Robin Wright) e Frank (Kevin Spacey) (continuação do que acompanhamos no final da 3° temporada) e apesar dos motivos da briga serem assustadores, a resolução é ainda mais. Os dois sabem que separados são presas fáceis para seus inimigos, já juntos são como uma matilha de lobos, sempre prontos a levar a presa para o lugar exato, no momento certo para o abate. Por isso eles sabem da necessidade de manter o casamento, ou aparência dele. Há mais a perder com a separação, portanto os dois passam por cima de suas felicidades individuais, já que há uma grande meta e essa tem que ser alcançada, a qualquer custo.

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Talvez essa seja a melhor temporada da série. O roteiro é quase impecável, muito bem escrito, com diálogos que deixam o espectador bem a par de tudo o que acontece, mesmo sem explicar muito. E se nós brasileiros por um lado ficamos um pouco perdidos com toda a mecânica das eleições americanas, por outro entendemos muito bem os conchavos e as consequências das ações dos envolvidos. E esta temporada tem de tudo um pouco, traições, reviravoltas e outros elementos que nos fazem ficar presos a história e temermos pelo futuro dos Underwoods. Os feitos de Frank nas temporadas anteriores começam a lhe cobrar o preço. Contudo, apesar de preocupado, ele não se abate, e aqui tenho que destacar a última cena desta temporada. É simples mas carregada de simbolismo e horror diante do que está acontecendo, mostra bem a disposição do casal em fazer o que for preciso pra se salvar.

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Outro elemento a destacar é a produção. House of Cards não parece uma séria de televisão, parece um filme. O nível de detalhes da produção impressionam. E se destaca a diferença de ambientes criada entre os Underwoods e o casal rival na disputa pela presidência, os Conways, enquanto o ambiente dos primeiros é opaco, sem vida, os ambientes da segunda família são cheios de cores e luminosos. Esse contraste é apenas em aparência, pois os Conways são tão capazes de fazer chantagens e usar de todas as armas, inclusive a utilização da imagem de família feliz deixa isso bem claro, enquanto os Underwoods, só não fizeram mais por falta de oportunidades. E aqui temos uma bom embate para as próximas temporadas, parece que, enfim, há adversários a altura.

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Mais uma vez a dupla de atores Kevin Spacey e Robin Wright são um show a parte, muito da força que House of Cards possui se deve a dupla e a sinergia que existe entre os dois. E nós espectadores passamos a compreender ainda mais a mecânica do relacionamento e como isso impacta nas escolhas que os dois possuem, despertando em nós cada vez mais essa sensação de envolvimento e conexão com o casal.

E há outros atores que se destacam, um deles é  Michael Kelly, intérprete de Doug, seu personagem vem conquistando mais espaço e peso na tomada de decisões importantes para o futuro do casal, contudo Doug não tem o mesmo desprendimento moral de Frank ou Claire, e a consciência acaba cobrando um preço no final. Outro grande nome é Ellen Burstyn, fazendo a mãe doente de Claire, sua participação apesar de breve é muito significativa para história e a dinâmica rápida entre ela e o escritor Thomas Yates (Paul Sparks) enriqueceu a temporada, um momento de ternura no meio de tanta falsidade, aliás, talvez seja Yates o único personagem que tenha algum sentimento realmente verdadeiro, e isso o ator consegue passar bem, suas expressões perdidas e atônitas frente ao que está passando são reais.

House of Cards
House of Cards termina, talvez, com o ganho mais forte até agora. As perspectivas para a nova temporada são mais sombrias que as outras, mas parece que os Underwoods não estão muito preocupados com isso.

 

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