Independence Day – O Ressurgimento | Crítica


Vinte anos após a invasão alienígena que marcou a história do cinema em Independence Day (1996), e que dizimou grande parte da humanidade, nos encontramos em uma Terra que vive em harmonia e em um grau de desenvolvimento avançado, após incorporar a tecnologia dos invasores ao seu dia a dia. Contudo, atendendo um chamado de socorro dos primeiros invasores, os aliens estão de volta, com naves maiores e mais perigosas e com o objetivo de acabar não só com a humanidade, mas também com a própria terra. É essa a trama de Independence Day – O Ressurgimento, um filme que tinha tudo pra superar o original e ser uma excelente continuação, mas que, assim como a raça humana no filme, cai em uma armadilha chamada clichê e se torna apenas mais um desnecessário produto do cinema hollywoodiano.

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O roteiro foi escrito por um grande grupo de pessoas (James A. Woods, Roland Emmerich, Dean Devlin e James Vanderbilt), o que já não é bom sinal, e as consequências disso são claras na tela. Ao contrário do primeiro filme, onde a luta pela sobrevivência da raça humana bebia da fonte do drama familiar e patriota, com personagens bem estruturados e fáceis de criar identificação, nesse o elenco praticamente dobra de tamanho. Obviamente, os personagens não são explorados da forma que deveriam e por isso o desenvolvimento de suas histórias é extremamente superficial. Alguns estão no filme sem um objetivo claro, outros se envolvem em situações que de nada servem para desenvolver a trama principal e tem até espaço para personagens com a única função de ser um alívio cômico.

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Por falar em alívio cômico, esse é um dos principais problemas do filme. É comum termos situações ou momentos em que o alívio cômico é bem vindo e funciona bem em filmes catástrofe ou de ação/ficção como esse. Mas para isso, eles precisam ser inteligentes. Nesse filme, vemos uma trama, que deveria causar tensão o tempo todo no telespectador, ser quebrada nos momentos mais absurdos e sérios por piadas forçadas e diálogos bobos. O excesso de frases de efeito também prejudica o filme, dando a impressão de que todas as cenas foram feitas para ser um grande trailer, cheias de diálogos carregados de frases prontas para forçar momentos de tensão, reflexão e exaltação heroica na história, principalmente com o personagem do Bill Pullman.

Jeff-Goldblum-and-Liam-Hemsworth-in-Independence-Day-Resurgence

Tudo isso faz um grande desserviço ao filme, que é muito longo sem necessidade. As reviravoltas do roteiro não são surpreendentes nem causam grande impacto. A verdade é que já sabemos como o filme vai terminar e quem são aqueles que resolverão os problemas. Não nos importamos com os personagens o suficiente para temer pelas suas vidas, e os personagens do longa original são jogados na história sem nenhum tipo de apresentação prévia. Parece que o filme esqueceu que 20 anos se passaram e outra geração está indo aos cinemas ser apresentada a esse universo. Eles tratam o espectador como se o primeiro filme tivesse sido lançado ano passado e todos tivessem ele fresco na memória.

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A direção mais uma vez é de Roland Emmerich, e se o primeiro filme se vendia muito pelos efeitos especiais, aqui eles não causam o mesmo impacto. Numa época onde tudo é possível na tela do cinema, mostrar a destruição do planeta não é mais tão surreal assim, e se não for feito da maneira correta, pode passar a sensação de mesmice para o público. Afinal, se um filme é feito em toda sua totalidade de cenas grandiosas e apoteóticas, em que momento o público vai finalmente se surpreender com algo?

Há um excesso de efeitos especiais na trama, e se em alguns momentos eles ajudam a contar a história e criar um clima, em outros eles revelam demais e acabam não favorecendo o desenvolvimento da trama. Grande parte da tensão criada no longa original vinha da suposição constante da intenção e dos planos dos invasores na Terra. No novo longa somos jogados de forma forçada dentro dos domínios, das naves e até das mentes dos aliens, deixando claro o tempo todo o que eles planejam, como agem, o que pensam e como atacam. O medo e a tensão deixam de existir e sentimos o tempo todo que os problemas estão sendo apresentados para logo serem resolvidos depois.

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Algo a se elogiar é a forma como o diretor filma, sem câmara tremida ou fechando os quadros na ação, nem recorrendo a câmeras lentas. Aqui a ação é em plano aberto e conseguimos entender bem o que está acontecendo. O problema é que o ritmo é constantemente quebrado pela necessidade de mudar o foco da narrativa da ação o tempo todo, e mesmo ao final, o fechamento das pontas de cada personagem é desinteressante e apressado, soando quase como um resumo.

DF-08685r - Bill Pullman reprises his “Independence Day” role of Thomas Whitmore. Photo Credit: Claudette Barius.

Entre o elenco, Jeff Goldblum volta a interpretar David Levinson, o cientista brilhante, agora reconhecido pelo governo e referência em tudo que diz respeito aos aliens. É de longe o personagem mais interessante e agradável da história. O personagem de Will Smith, que não aceitou voltar para a continuação por questões contratuais e de salário, é representado pelo seu filho (Jessie T. Usher), agora um piloto de caça condecorado que tem uma rivalidade com o personagem de Liam Hemsworth, graças à um acidente que é explicado de forma muito superficial na trama. Liam entrega uma interpretação mediana para um piloto rebelde que não exige quase nenhuma carga emocional, e mesmo quando o faz ao retratar o romance “à distância” com a filha de Pullman (Maika Monroe), não é explorado da forma como deveria. Talvez pelo fato de a distância entre os dois ser facilmente superada com uma viagem de 15 minutos em uma das novas super naves que a Terra possui. Falha do roteiro e de argumentos bem óbvia.

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Com um 3D que em nada acrescenta à experiência, a não ser obrigar o espectador a pagar mais caro pelo ingresso e escurecer um filme que já é muito escuro, Independence Day – O Ressurgimento chega aos cinemas decepcionando uma geração inteira que se deslumbrou com o seu original na época do lançamento e causando desinteresse em uma nova geração que ainda não conhece seu universo e talvez nem se interesse em conhecer, se depender desse filme. Com um final que deixa brecha pra uma (ou mais de uma) continuação, a única coisa que sentimos é saudade do primeiro filme que, mesmo lançado 20 anos atrás, ainda consegue superar em muitos aspectos a sua moderna e desnecessária continuação.

Elenco: Liam Hemsworth , Vivica A. Fox , Travis Tope , Jeff Goldblum , Bill Pullman ,Charlotte Gainsbourg
Direção: Roland Emmerich
Roteiro: James A. Woods, Roland Emmerich, Dean Devlin e James Vanderbilt
Produção: Dean Devlin e Roland Emmerich
Trilha sonora: Thomas Wanker, Harald Kloser, David Arnold

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