Inspire-se Com Na Natureza Selvagem!


Ao nascermos não nos é dado o roteiro que temos que seguir, nem mesmo um termo de garantia de que iremos viver uma vida longa e feliz. A medida que crescemos vamos nos espelhando e inspirando naqueles que nos cercam para construir a nosso próprio caminho.

Muitas vezes nos sentimos perdidos e sem esperança, mas isso também se torna parte importante dessa viagem de aprendizado e autoconhecimento que é a vida.

É comum ouvirmos que a vida imita a arte e que a arte imita a vida, e em se tratando de filmes como o escolhido de hoje, as duas alternativas se aplicam muito bem, ao ponto que fica difícil saber em que ponto uma termina e a outra começa. (Para quem ainda não assistiu, devo informar que este texto contém spoilers.)

Na Natureza Selvagem é um filme baseado na história real do jovem Christopher MacCandless (Emile Hirsch), que ao concluir a faculdade decide abandonar a sua vida como ela era, deixando para trás família, amigos, carreira e embarcar numa jornada rumo ao Alasca, onde pretende viver isolado por uma temporada, contudo mais do que alcançar esse local físico, afinal ele poderia ter escolhido qualquer outro lugar do planeta, Christopher vai em busca de um lugar dentro de si no qual ele se sinta em paz consigo mesmo e com os fatos que compõem a sua própria história até aquele momento.

Into the Wild

A princípio pode parecer bem radical a atitude de Christopher ao deixar tudo, destruir todos os seus documentos, doar todas as suas economias para a caridade e decidir criar uma nova identidade, passando a ser para ele e para todos que o conheceram nesse caminho Alexander Supertramp, contudo mais do que radical creio que se trata de uma atitude desesperada de alguém que se sentia sufocado em sua própria existência.

Uma existência marcada pela pressão da relação conflituosa de seus pais, que valorizavam mais o status de uma vida cheia de luxo, riquezas e poder, que o fazia se distanciar cada vez mais deles.

O filme que teve sua estreia em 2007, foi dirigido por Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos – 2003), que através de seu olhar sensível e apurado nos conta a história mesclando o presente do personagem como Alexander e flashbacks de sua vida como Christopher, montando assim o quebra-cabeça que nos revela como foi a vida de Christopher MacCandless.

Sean captura cada detalhe com sabedoria e explora as belezas das paisagens por onde o personagem vai passando, como a maior parte da cenas são ao ar livre, a luz natural enriquece a fotografia do filme, no qual podemos identificar os vários tons de verde, azul e ainda o branco da neve que envolvem o personagem até a sua morte.

Into the Wild

Ainda temos algumas passagens narradas pela irmã de Christopher, Carine MacCandless (Jena Malone), o que dá um tom ainda mais melancólico, uma vez que a ligação e o amor entre os dois era muito forte, mas ainda assim ela também foi deixada para trás nessa busca incansável dele.

Into the Wild

E para compor magicamente todo o clima de aventura, descoberta e renascimento temos uma trilha sonora assinada por Eddie Vedder (vocalista da Pearl Jam) com canções melódicas e letras questionadoras e poéticas como nos trechos a seguir:

…Eu tenho essa luz

E a vontade de mostrar

Serei sempre melhor do que antes…  Long Nights

…Vou me revoltar

Queimando buracos negros em memórias obscuras

Vou me revoltar

Transformando erros em ouro… Rise

…É um mistério para mim

Nós temos uma ganância com a qual concordamos

Você pensa que você tem que querer mais do que precisa

Até você ter isso tudo, você não estará livre…

…Existe esses que pensam que mais é menos, menos é mais

Mas se menos é mais, como você pode continuar pontuando?…Society

…Uma mente cheia de perguntas e um professor em minha alma… Guaranteed

Um filme para sonhadores, um filme para quem tem os pés no chão, um filme para quem tem esperança, um filme para quem precisa de inspiração, um filme para viajantes, um filme para quem nunca saiu do lugar onde nasceu, afinal a vida é uma grande viagem, a maior de todas e cabe a cada um escolher o caminho que lhe faz sentir bem.

Into the Wild

Uma das frases de Alexander Supertramp que se tornaram mais conhecidas foi: “A felicidade só é real se compartilhada.”  

As vezes pode parecer até contraditório que ele tenha chegado ao fim de sua vida ainda tão jovem e sozinho, mesmo tendo conhecido e convivido com muita gente durante a sua jornada, mas essa frase expressa que embora ele precisasse seguir esse caminho só, ele sabia e valorizava a companhia das  outras pessoas.

E é por tudo isso que esse se tornou para mim um filme memorável.

Assista e inspire-se você também! ^^