Instituto de Cinema SP promove Masterclasses – Mulheres Brasileiras na Direção


É crescente os debates e questionamentos sobre o papel da mulher na sociedade. Podemos ser metade da população, entretanto essa estatística não se reflete de maneira equilibrada quando consideramos os espaços ocupados por nós, espaços e funções nas quais  de fato tenhamos voz, poder, reconhecimento e respeito.

Até mesmo no mercado audiovisual onde há um grande número de profissionais mulheres, ainda são poucas se formos observar e de acordo com pesquisas recentes aquelas que realmente estão ocupando as lideranças em cargos como roteirista e diretora nos projetos. Considerando todas estas questões e seu papel de fomentador de mudanças e desenvolvimento de novas consciências como instituição de ensino, o Instituto de Cinema SP está promovendo em São Paulo Masterclasses – Mulheres Brasileiras na Direção, que a cada edição traz uma diretora de cinema para compartilhar suas experiências e aprendizados com o público num bate-papo bem intimista e produtivo.

A primeira masterclass aconteceu no dia 17 de agosto e contou com a participação da cineasta Carol Fioratti, diretora do longa “Meus 15 Anos”, estrelado pela atriz Larissa Manoela, que chegou ao cinemas em junho desse ano e mediação da roteirista e professora do InC, Mariana Tesch. Na matéria Carol Fioratti abre o “Mulheres Brasileiras na Direção”, publicada pelo InC em seu site vocês podem conferir uma síntese do que rolou no bate-papo.

Aparecem da esquerda para a direita: Júlia Malta, Relações Públicas do InC; Barbara Yasmin, Departamento de Marketing; Carol Fioratti; Rachel Louise, Coordenadora Docente do InC; Isabelle de Moura, Coordenadora Discente do InC e Yasmin Garcia, monitora de equipamentos e editora no InC (ela fez a captação de vídeo e áudio do evento).

Nós conversamos com a equipe idealizadora do projeto, que nos contou um pouco mais sobre a origem e motivações para a realização do projeto. A próxima convidada já confirmada é Laís Bodanzky, no dia 26 de outubro, que estreou o seu mais novo longa Como Nossos Pais recentemente e com quem nós conversamos sobre ele e vocês podem assistir em Como Nossos Pais | Crítica + Entrevista Laís Bodanzky e Maria Ribeiro. Para mais informações acompanhe as redes sociais do InC e a página do evento no Facebook.

 Qual a origem do projeto?
“Que horas ela volta” (Anna Muylaert), “Era o hotel Cambridge” (Eliane Caffé), “Como Nossos Pais” (Laís Bodanzky) são alguns títulos nacionais de destaque recente e que foram dirigidos por mulheres. Como o tema gênero tem sido amplamente debatido na esfera pública brasileira, pensamos que seria produtivo problematizá-lo no audiovisual. Será que o sucesso desses filmes aponta para alguma equidade nesse mercado? E quando são as mulheres que ocupam a posição de comando – direção – como é a relação entre elas e o restante dos envolvidos na cadeia produtiva? Gostaríamos de colocar essa cena em foco e dar voz ao “por trás das câmeras” protagonizado por mulheres.

Por que começar por direção?
A ideia dessa série de encontros é atingir tanto o público já inserido no audiovisual, quanto simpatizantes. Para ambos os públicos, nos parece que a função da direção provoca apelo. Devemos admitir que há certa aura de fetiche que envolve o trabalho do diretor. Quisemos cruzar essa expectativa com a direção com gênero. Qual o lugar simbólico ocupado por uma diretora?

Qual o objetivo dos eventos?
Ouvir a experiência profissional e pessoal dessas mulheres e claro, evidenciar se há ou não dificuldades extras em seu percurso relacionadas a gênero.

Por que a escolha dessas profissionais, especificamente?
Nossa primeira palestrante foi a Carol Fioratti, que acabou de estrear “Meus 15 anos”. Escolhemos ela por ter estreado na direção de longa-metragem com um filme comercial. Entendemos que é um tipo de experiência com especificidades diferentes, por exemplo da Laís Bodanzky – nossa próxima convidada.

Qual a relevância de debates como esse para a instituição e se há projetos semelhantes já em desenvolvimento ou futuros?
Nós, no InC, acreditamos que o audiovisual é, ao mesmo tempo arte e veículo de reflexão  – e denúncia – das questões contemporâneas. Não adianta ensinar nossos alunos a fazer cinema, se este for um cinema reificado. A formação cinematográfica deve provocar a reflexão, a desmistificação, a desfetichização da produção e, por conseguinte, a problematização de nosso tempo presente que serão tematizadas. Nesse caminho, temos seleção semestral para bolsistas levando em consideração critérios socioeconômicos, abrigamos um Núcleo de Cinema Refugiado e agora iniciamos essa série de eventos problematizando gênero.