Invocação do Mal 2 | Crítica 2


Sete anos após os acontecimentos do primeiro filme, o casal Ed e Lorraine Warren retorna a ativa e inicia uma investigação paranormal na casa de uma família na Inglaterra que está sofrendo com supostos poltergeists e violentos ataques sobrenaturais. O filme é baseado nos registros reais do casal Warren, o que por si só automaticamente intensifica a experiência.

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A direção é novamente do James Wan, e desde já posso garantir que não há outra pessoa no mundo capaz de dirigir esta franquia além dele. Pelo menos não com tamanha personalidade. Ele criou aqui um filme com uma identidade tão legitimamente formidável que o trabalho do diretor é digno de aplausos. A começar pela estilização dos movimentos de câmera que são minuciosamente bem executados. A câmera expira vida própria, vaga entre os ambientes, assiste, registra, circula, paira no ar; por hora é apenas uma lente de observação, por outra transporta o público para o ponto de vista dos personagens. Há uma cena no início em que a câmera literalmente flutua por todos os cômodos da casa da família num plano-sequência fantástico. É uma câmera utilizada das mais diversas formas para transformar o filme numa experiência revigorante do gênero de terror. É uma câmera autêntica, e muito traiçoeira.

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James Wan no set de filmagens

 

A edição de som e a trilha sonora também são ótimas e potencializam a tensão da atmosfera aterradora em níveis estratosféricos. Os jumpscares não são gratuitos e estão a favor do filme, criando inúmeros momentos genuinamente assustadores. Considerando a enorme aptidão do diretor em montagem e edição, o filme está constantemente pegando o público de surpresa e isso é muito bom, porque nunca se sabe o que esperar ou o que vai acontecer. Além disso, a cenografia inglesa é linda, a paleta de cores é predominantemente quente e a fotografia dos ambientes internos da casa exalam bolor, sujeira, podridão, insinuam um ambiente extremamente nocivo.

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O elenco está afiadíssimo. A Vera Farmiga está radiante. É visivelmente nítido o desgaste físico e emocional da personagem por consequência do trabalho. O Patrick Wilson também está ótimo, ele é bonitão, charmoso e tem mais peso e relevância neste filme, e o interessante é que o vínculo e a união do casal são sobrelevados. Você se importa com eles, sofre com eles e essa empatia é muito importante num filme de terror. Isso fica tão evidente, que as cenas de desenvolvimento de personagem são tão boas que chegam a ser tão interessantes quando as próprias cenas de terror. Destaque também para a Madison Wolfe, que interpreta a Janet Hodgson; esta garota é um espetáculo. Não se via uma atuação infantil tão brilhante desde O Exorcista. É perceptível no semblante da atriz todo o horror das agruras causadas pelas entidades.

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Sobre as entidades do filme, devo admitir, elas são extremamente assustadoras. O trabalho de maquiagem é irretocável. O senso de ameaça criado aqui é descomunal e a atmosfera maligna fica tão impregnada que o público de fato é convencido e sente que tem algo a mais por trás do filme.

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Há o uso de clichês, mas são clichês executados com perfeição, com qualidade. Com exceção do fato de por vezes o filme colocar os personagens de frente com o perigo propositalmente, o que na prática funcionaria de forma bem diferente. Há também o abuso de alguns efeitos visuais que são perceptíveis demais e a há algumas pequenas sequências que poderiam ser descartadas, mas nada disso tira o brilho do filme.

Invocação do Mal 2 não é apenas um filme de terror, é também uma história sobre casamento, sobre o drama de uma garotinha, sobre fé abalada. É um filme estiloso, engenhoso, vigoroso e cheio de camadas, que não apenas assusta, mas também nos cativa, nos emociona. É um terror refinado em sua mais pura forma. Supera seu antecessor lançado em 2013 e é um dos melhores filmes de terror desta década até o momento.

Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Frances O’Connor, Madison Wolfe, Simon McBurney, Steve Coulter, Franka Potente, Lauren Esposito, Benjamin Haigh, Patrick McAuley, Maria Doyle Kennedy, Simon Delaney, Bob Adrian
Direção: James Wan
Roteiro: Carey Hayes, Chad Hayes, James Wan, David Leslie Johnson,
Produção: Richard Brener, Rob Cowan, Walter Hamada, Jenny Hinkey, Dave Neustadter, Peter Safran, James Wan
Trilha sonora: Joseph Bishara
Edição: Kirk M. Morri

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