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IT: A Coisa | Crítica

Com roteiro de Gary Dauberman, Chase Palmer, Cary Fukunaga e David Kajganich, em IT: A Coisa, o aguardado longa que estreia hoje nos cinemas nacionais, encontramos uma história que oscila entre o terror e o drama, onde o segundo se sobressai ao primeiro, assim como na série lançada em 1990. No desenvolvimento os personagens enfrentam muitas questões tais como: perda de ente querido, abusos dos pais (de muitas formas), bullying e em meio a tantas questões, os laços de amizade das sete crianças vão sendo construídos aos poucos. E aqui mora um grande risco de IT, pois o terror é “salpicado” em alguns momentos, haja vista a necessidade de desenvolver tantos personagens, e nem todos têm a mesma atenção, fazendo com que o ritmo caia um pouco. Mas é inteligentemente compensado pela dinâmica criada na relação das crianças, que mostra elementos adultos, como piadas sexuais (algumas bem pesadas) e brincadeiras ainda ingênuas.

A direção de Andy Muschietti consegue usar bem os clichês do gênero a seu favor. Ele mostra grande habilidade na hora de mostrar o quanto devemos temer Pennywise, construindo sequências aterrorizantes muitas vezes com recursos simples. Destaque para cenas de violência, não são muitas, porém as que estão no filme são bem realistas, e para alegria de alguns fãs do gênero há muito gore, sangue, gosma e cenas bem nojentas. É perceptível ainda que há também pontos negativos. Há momentos em que o filme é extremamente escuro e dessaturado, dificultando assim o acompanhamento da ação. Todos os ambientes fechados são retratados com um tom escuro que, em muitas ocasiões, atrapalha nossa percepção espacial.

Quanto aos atores, o sueco Bill Skarsgård encarna perfeitamente o palhaço dançarino, misturando um instinto animal com prazer sádico de assustar e matar. Sem dúvida o filme funciona pela boa relação que o elenco de pré-adolescentes desenvolve. Jaeden Lieberher é o líder do grupo que tenta se recuperar da perda de seu irmão, é o aglutinador do grupo, o ator desempenha bem seu papel conseguindo passar as emoções pelo olhar ou pelo seu modo de gaguejar. Jack Dylan Grazer é o hipocondríaco, seu rosto sempre assustado e seus comentários sobre saúde rendem piadas muito boas. Jeremy Ray Taylor, “o gordinho do grupo” é o romântico e por sofrer bullying por sua condição se identifica internamente com a turma, é o personagem que mais informações tem sobre a cidadezinha. Wyatt Oleff que encarna o mais medroso do grupo e o mais afetado pelo palhaço, é uma interpretação pra ser elogiada. Chosen Jacobs, perseguido por ser negro, tem a explicação mais mística para o que está acontecendo. Sophia Lillis, a única menina do grupo, é também o personagem mais corajoso e valente, seu arco dramático talvez seja o mais forte entre todos e a atriz consegue carregar muito bem. Entretanto quem rouba mesmo a cena é Finn Wolfhard, seu personagem é cheio de humor e sarcasmo, seu tempo de comédia é perfeito com uma atuação muito afinada.

It: A Coisa está acima da maioria dos filmes de terror atuais, apesar de usar os clichês do gênero, ele sabe usá-los de forma certa, aumentando o medo do espectador e deixa, acertadamente, um ganho para um continuação (torcemos que saia, ainda não está confirmado). Vale a pena conferir, principalmente para aqueles que, assim como eu, foram assombrados por Pennywise quando criança.

Título Original:  IT

Lançamento:  07 de setembro de 2017 

Direção: Andy Muschietti

Roteiro: Gary Dauberman, Chase Palmer, Cary Fukunaga, David Kajganich

Elenco: Bill Skarsgård, Jaeden Lieberher, Jack Dylan Grazer, Jeremy Ray Taylor, Wyatt Oleff, Chosen Jacobs, Sophia Lillis, Finn Wolfhard

Gênero: Suspense, drama, terror

Nacionalidade: EUA

Nota Do Site:
Economista apaixonado por cinema e literatura. fã de Star Wars, Breaking Bad entre outras produções e tem como maior desafio ser pai de Arthur

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